Peter Hook relembra como Ian Curtis moldou seu baixo no Joy Division e até New Order
Por André Garcia
Postado em 28 de fevereiro de 2025
Eu ousaria dizer que não há no post punk um baixista mais influente que Peter Hook, do Joy Division e New Order.
Com um jeito peculiar de tocar, ele faz linhas de baixo que se desenrolam (muitas vezes durante o verso ou no refrão) melodicamente como um solo. Isso sem falar de seu timbre inconfundível, que você logo nota quando uma banda como o The Cure está fazendo igual.
É impossível copiar ele sem que isso fique escancarado.
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Em entrevista recente para a Guitar World Hook falou sobre como um insight do vocalista Ian Curtis e um amplificador horrível moldaram sua carreira como baixista:
"[Meu estilo de tocar] é um baixo protagonista e melódico, creio eu. Foi Ian [Curtis] quem percebeu como a relação entre um baixo agudo e uma guitarra grave era muito interessante e incomum. Meu estilo de tocar veio daí."
"Além disso, quando comecei a tocar baixo, eu tinha uma velha caixa de baixo Sunn com um alto-falante de 18 polegadas que era simplesmente horrível! Não dava para ouvir nada. Esse foi outro motivo pelo qual comecei a tocar tão agudo: porque o grave daquele troço era horrível."
Tem muito a ver com a atitude punk essa coisa de tocar como puder e com o que você tiver — o importante é fazer você mesmo, e já.
"[Meu jeito de tocar com o passar dos anos] não mudou em nada", acrescentou Hook. "Fico surpreso por ter durado tanto tempo! Eu definitivamente melhorei ao vivo. Não toco mais metade das notas erradas [que tocava antigamente], mas ainda toco. Faz parte da ética do punk rock."
"Estou perfeitamente satisfeito com o que faço e nunca senti que [minha criatividade] tenha se esgotado. É muito difícil criar riffs característicos como 'She's Lost Control', 'Twenty-Four Hours' ou 'Krafty'. Eu sempre rezo para [o baixista do The Who] John Entwistle!"
Ainda na mesma entrevista ele relembra que decidiu comprar um baixo e formar uma banda quando foi assistir ao primeiro show dos Sex Pistols em Manchester:
"Foi incrível! O que eu vi foi tão intenso e maravilhoso que decidi embarcar naquilo. Eu nunca tinha tocado um instrumento musical antes daquilo, mas no dia seguinte eu fui comprar um baixo."
Os outros futuros integrantes do Joy Division também estava naquele fatídico show dos Sex Pistols. E também foi lá que eles decidiram que queriam formar uma banda.
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