Japão: afinal, por que eles ainda compram tantos CDs?
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 21 de outubro de 2013
Por NACHO BELGRANDE, baseado em matéria videográfica da filial da CNN em Hong Kong.
Para os fãs do grupo pop japonês BABY RAIDS, a chance de poder cantar e dançar com as cinco membros do grupo aparentemente não é suficiente.
Eles querem encontrar as garotas de perto, apertar as mãos, interagir, e talvez até receberem um cumprimento de agradecimento.
O preço de tal encontro?
Os ingressos são gratuitos – SE você primeiro comprar a edição especial do single em CD por algo entre 10 e 16 dólares.
Sukuru Hashiba, um fã entusiasmado, comprou vinte cópias.
"Eu quero apertar a mão, conversar com elas, e ser louvado diretamente por elas".
Os CDs podem estar tornando-se obsoletos em muitas partes do mundo, mas no Japão, eles ainda tem muita força.
As vendas de mídias físicas como CDs e DVDs são responsáveis por 80% das receitas aqui, comparadas a apenas 34% nos EUA e 49% na Grã-Bretanha.
Os japoneses, hoje em dia, compram mais CDs do que consumidores de qualquer outro país.
E as vendas de CDs subiram em 2012, enquanto o número de downloads digitais caiu.
Experts da indústria afirmam que o fator determinante pra isso está no valor que os consumidores japoneses depositam em possuir um item material.
"Certa vez", conta Kotaro Taguchi, da Associação da Indústria Fonográfica Japonesa, "um lojista estrangeiro me disse que o povo japonês não liga pro preço, mas se importa muito com o que vem com os CDs."
Ele emenda: "Isso pode ser percebido na cultura musical japonesa pela música em pacote, os CDs sempre vem com prendas especiais, como DVDs, encartes e álbuns de fotografias".
Os artistas responderam a isso lançando CDs em edições limitadas, acrescentando uma embalagem mais elaborada, ou arte gráfica mais caprichada.
Outro fator contribuinte para tal tendência? A idade.
A massa de consumo japonesa está envelhecendo, e atendo-se à tecnologia de sua juventude.
Tatsuya Morakoshi, gerente da gigante Tower Records de Shibuya, explica que "em especial os fregueses no fim da casa dos 30 anos ou mais, que cresceram na era da música embalada, esses tendem a comprar CDs."Esse apego se traduz em maiores lucros para as gravadoras, que podem cobrar mais por cada vende de produto tangível do que por um download digital.
As Baby Raids – e outras bandas japoneses como ela – estão tentando se estabelecer nessa tendência, atiçando os fãs a comprar 10 a 20 cópias de cada single em CD apenas para ter a oportunidade de passar mais tempo com as moças.
A líder das Baby Raids, Erika Denya, se abre:
"Nós não poderíamos ser mais gratas a eles, por comprarem tantos CDs, apenas para conversar com a gente."
Um pequeno preço a se pagar pior parte de fãs tão devotos e que está rendendo bem para a indústria musical nipônica.
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