Woodstock: loja de Metal mais importante do Brasil ganha doc
Por Luiz Pimentel
Fonte: Blog do Luiz Pimentel
Postado em 05 de dezembro de 2014
É complicado explicar para quem não viveu o que foi (e é) a Woodstock Discos.
Mentira.
Não é nada complicado.
Woodstock foi para o roqueiro (principalmente o headbanger) a Internet. Antes da Internet, claro.
Eu a conheci ali pra 1982, 83, ainda no segundo andar da galeria José Bonifácio. Depois, ela foi para ali perto, na rua Doutor Falcão, ambos os endereços no centrão de São Paulo.
Na galeria, era comum o dia da chegada de mercadoria – quando o dono, Walcyr, chegava da Inglaterra com malas lotadas de discos, patches, broches, o diabo a quatro. Formavam-se filas à porta, pois a loja só comportava um número reduzido de pessoas de cada vez. E você ficava observando um sortudo que chegara mais cedo (ou que tinha mais grana) sair com um patch de costas (para costurar às costas de um colete jeans, que era usado sobre uma jaqueta de napa que imitava couro) do "Black Metal", do Venom, ou do "Screaming for Vengeance", do Judas Priest.
Woodstock era o Ebay da época.
Mesmo na época da galeria e mais ainda na atual locação, à porta corria solto o comércio de troca de fitas K7. Tinha uns caras que eram profissas, chegavam com catálogo, um lote de fitas pra vender e tal. E não importava tanto a qualidade de gravação. Importava era ter a demo do Metallica ou do Iron Maiden, "Soundhouse Tapes". Ou algum bootleg gravado do jeito mais tosco em um ponto qualquer do planeta, já que as bandas não passavam nem por decreto pelo Brasil.
Woodstock era o Napster da época.
Lá dentro, além das camisetas, discos, pôsteres, rolavam sessões de shows, numa TV de 14 polegadas, se bem me lembro. Em VHS. Sei que a maioria das gravações não passava de nota 2 (sendo 10 uma qualidade DVD atual), mas a loja entupia de gente, que reagia como se estivesse num show, batendo cabeça e vibrando nas favoritas. Numa dessas, assisti pela primeira vez o clássico "Combat Tour", com Venom, Slayer e Exodus. A coisa ganhou tal dimensão que houve caso de banda de abertura para exibições dessas gravações. Te lo juro.
Woodstock era o Youtube da época.
E é por essas e muitas outras que é imperdível o lançamento oficial do documentário "Woodstock, muito mais que uma loja", neste sábado, dia 6, na própria.
Às 17h e às 20h rolam sessões gratuitas do filme na Matilha Cultural, à Rua Rego Freitas.
Long live the loud! Long live Woodstock!
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