David Bowie: cinco guinadas cruciais na carreira do Camaleão
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 12 de abril de 2016
Dia 10 de janeiro, o mundo acordou perplexo com a notícia da morte de David Bowie. Mantido em sigilo pela família, o câncer levou o Camaleão dias após o lançamento do jazzístico Blackstar, nova guinada na carreira do artista mais importante da Inglaterra sabe-se lá há quantas décadas. Sem exagero, David Robert Jones deixou tantas crias, inspirou tantas tendências e influenciou não apenas a música, mas também a moda, que o impacto de seu Bing Bang criativo será ainda sentido por décadas.
O documentário Five Years (2013), da BBC, usa o título da faixa de abertura do clássico The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972) para traçar panorama de cinco anos importantes na carreira do inventor dos anos 80. Com a característica qualidade e profundidade da emissora britânica, colaboradores como Rick Wakeman e Carlos Alomar e acadêmicos pop como Camille Paglia exaltam qualidades e falam sobre a gênese, significância e legado de Bowie.
Lançando álbuns desde 1967 e com o sucesso de Space Oddity, sua carreira não deslanchava como gostaria. Bowie queria ser estrela e trabalhou duro e eficientemente para tanto. O primeiro ano de virada foi 1971-72, dos álbuns Hunky Dory e Ziggy Stardust. Em Nova York, ele conhece Andy Warhol. Estabelece-se relação de admiração/inveja criativa e quando Bowie retorna a Inglaterra usou muito do que viu no The Factory para lapidar a imagem de rock star que tencionava criar, desde a capa icônica de Hunky até a personagem Ziggy Stardust e sua ascensão e queda. E Bowie se torna uma estrela do rock ao cantar sobre uma; calculando cada gesto, assumindo a primeira de uma série de visuais e personalidades. O público alguma vez viu o "verdadeiro" David Bowie? Em cada ponto de virada, Five Years explica a criação de canções-chave, neste período os destaques vão para Changes e Life On Mars?
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Bowie foi o primeiro ícone do rock no mesmo nível de adoração das estrelas hollywoodianas da fase áurea. Astro que se dá ao luxo de matar sua personagem Ziggy Stardust ao vivo, no palco, no dia 03 de julho de 1973. Hora de se reinventar e o enfoque cai sobre o biênio 1974-5. De cabelo cor de laranja e quase albino por falta de sol. Bowie decide se tornar soulman. Encharcado de música da Philadelphia e do Harlem, de Aretha Franklin e auxiliado por futuros astros black como Luther Vandross, compõe Young Americans, soul music à Bowie, porque era esperto demais para saber que não bateria os originais norte-americanos se tentasse fazer o jogo deles. Inquieto e cocainado demais, Bowie já troca o disco em 75. Inspirado por krautrock e o eletrônico Kraftwerk, compõe as texturas escuras de Station to Station (1976).
Cheio de problemas com empresários, esposa e, acima de tudo, perigando surtar ou morrer pelos abusos com drogas na maluca Los Angeles, decide retornar a Londres em 76 e aí está o ponto para a próxima virada 76/77. Influenciado pela ambiência eletrônica das paisagens aparentemente imutáveis e gélidas de Discreet Music (1975) do ex-Roxy Music e não-músico Brian Eno, Bowie recruta-o, assim como o King Crimson Robert Fripp e sua guitarra frippertrônica, muda-se para Berlim e despindo-se dos paramentos e estilo de vida de rock star compõe a eletrotrilogia iniciada por Low, que pavimentaria o caminho para o synth pop, só para dar um exemplo. Malhado por críticos, que depois seriam implacáveis com o synth pop, um dos melhores trechos é a inteligência do Camaleão fuzilando um desses escribas, que acusa o álbum de "alienado" "Alienado do quê?", pergunta Bowie, enquanto a câmera dá zoom em seus olhos, um azul, outro verde. "De, de, de, de, bem, de minha realidade", admite o repórter. Low é clássico e esse repórter é quem mesmo? Outra delícia é ver Robert Fripp na "terceira-idade", de paletó e gravata, supertiozinho, falando em guitarras que dão ereções.
Na virada de 1979/80, o Camaleão coabitava o universo pop com suas crias. A explosão punk e o estilhaçar pós-punk em n subgêneros tiveram muito de sua mão na concepção/execução. Utilizando o novo expediente do vídeoclipe, ressuscita Major Tom, personagem de Space Oddity, na faixa Ashes To Ashes, ressignifica eletronicamente o glam rock e põe guitarra distorcida de Fripp no funk estranho de Fashion e com isso fecha os 70’s – década em que foi o maior – com Scary Monsters, influenciando, mas já trabalhando junto com seus filhotes New Romantic. Vale lembrar que sabendo da fama do Blitz Club, o artista recrutou alguns de seus frequentadores para o vídeo de Ashes to Ashes, dentre eles, Steven Strange, do Visage.
Entre 82/3, Bowie assina contrato milionário com a EMI, fisga o produtor da moda Nile Rodgers, do Chic, que produzira Diana Ross e Sister Sledge e lança Let´s Dance. Até então, respeitável e respeitado pela crítica e companheiros da indústria e com público cativo, faltava a Bowie conquistar o planeta e isso o faz com esse álbum. De teatros cobertos a estádios de futebol, a fase pop que produziu China Girl e Modern Love é encarada como mais um experimento. Liberto das drogas e tendo dominado os 70’s e gerado os 80’s, chegara a hora de colher os louros virando ídolo planetário, de cabelo platinado e paletós de diversas cores.
Five Years poderia ter o grande ponto de virada de 1988, quando o artista se encheu de fazer coisas comerciais (o álbum de 87 é frustrante) e já tinha dinheiro até mais não precisar e por isso criou o alternativo Tin Machine, áspero demais para papai e mamãe Mcfelizes curtirem com mauricinho e patricinha pelo alto-falante do shopping.
Como Bowie saíra do radar da grande mídia há anos, mesmo lançando sólidos trabalhos nos 90’s e 00’s, Five Years tem sabor de resumo da ópera para contextualizar a importância do lançamento de The Next Day (2013), que marcava o aparente enceramento de uma década propositalmente em silêncio. Como se isso não fosse muito bom, porque apresenta o filé de sua produção, ainda se refere a suas elogiadas atuações no cinema e na Broadway.
Lotado de imagens raras ou até então inéditas, Five Years é essencial para neófitos começarem a entender a importância do artista e para fãs terem rápido material de consulta para sempre se lembrar do porquê David Bowie é tão fundamental para a cultura contemporânea.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
Festival Best of Blues and Rock tem edição 2026 confirmada
O clássico de Bon Scott que Brian Johnson nunca quis cantar no AC/DC
O disco punk clássico que Billie Joe Armstrong chamou de "um monte de merda"
Pink Floyd lança a coletânea "8-Tracks", que reúne faixas gravadas nos anos 70
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, em lista da Revolver Magazine
Fã do Iron Maiden paga equivalente a mais de R$ 22 mil por cópia de "The Soundhouse Tapes"
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
10 músicas de rock nacional dos anos 1980 que ainda estão na memória afetiva do brasileiro
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
A melhor banda de todos os tempos, segundo os leitores da Classic Rock
O ícone do death metal que admira o trabalho de Michael Jackson
O clássico do thrash metal que retrata o clima caótico da guerra, segundo o Loudwire
Steve Harris aponta a música ideal para apresentar o Iron Maiden a quem nunca ouviu a banda
A lenda do rock que não subiu ao palco na despedida do Sabbath e mandou recado pro Yungblud
O álbum do Pink Floyd que nunca envelhece, segundo Sammy Hagar
O hit da Legião Urbana que revela crítica de Renato Russo a hábito de apresentadoras infantis


O erro cometido pela gravadora dos Beatles que repetiu o que havia acontecido com eles
Quando Jeff Beck tocou na despedida de um personagem lendário do rock
O violentíssimo filme que inspirou David Bowie a criar Ziggy Stardust
Rock e HQs: quando guitarras e quadrinhos contam a mesma história
Estudo revela domínio do rock entre as maiores extensões vocais - Descubra quem está no topo
CDs: sua coleção pode valer uma fortuna e você nem sabe disso
Planet Rock: as maiores vozes da história do rock
