Kraftwerk: doc sobre um dos inventores da música contemporânea
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 24 de setembro de 2016
Se fizerem um genoma da música popular contemporânea, acharão o cromossomo K, do Kraftwerk. O grupo alemão influenciou até a guitarra roqueira de Neil Young, em seu álbum de 1982. Aprende-se isso no documentário Kraftwerk and the Electronic Revolution (2008). Se as quase 3 horas de programa tivessem sido produzidas posteriormente, possivelmente teria se referido ao Coldplay usar o riff de Computer Love pra construir a sua Talk.
Quase uma hora transcorre até chegar ao Kraft. Os documentaristas fornecem vasto background histórico e estético da Alemanha do pós-guerra até os 70’s, da música eletrônica, concreta e pop, incluindo alguns aspectos de um tipo de música popular germânica chamada schlager, esvaziada de sua artificialidade de sacarina pela secura e planura estudadas dos vocais da banda. A terraplanagem do terreno é tão minuciosa que até a influência das trilhas sonoras de filmes de ficção dos anos 50 e 60 é mencionada.
Quando falando sobre o grupo, o programa revela as conexões e contradições planejadas entre o visual retrô - remetente a um passado que a Alemanha queria esquecer - e o conteúdo revolucionariamente moderno/futurista da sonoridade. Focando a década de 70/começo dos 1980’s, Kraftwerk and the Electronic Revolution cartografa a mudança de visual dos próprios integrantes, de pseudo-cientistas, passando por sarcásticos almofadinhas do período social democrata à desumanização robótico-computacional oitentista, que resulta praticamente no desaparecimento dos membros do Kraft, especialmente quando já não mais dão conta de serem vanguarda.
Em termos musicais, o filme alinhava os conceitos e resultados obtidos desde os primeiros álbuns – experimentalismo refutado pelos caciques do Kraft, Florian Schneider and Ralf Hütter, até o oitentista Computer World. Quem imaginaria que o conceito de Autobhan (1974) tem a ver com os Beach Boys?
Os ultrafechados Florian e Ralf não participaram do documentário, não autorizado, aliás. Karl Bartos – participante de todos os álbuns fundamentais – conta sobre influências, alguns processos de composição e sua consciência do impacto do Kraftwerk na cultura musical contemporânea. Elogios à garotada inglesa que utilizou as deixas para criar algo novo – como o Human League – e discreto dardo envenenado no pobre Gary Numan.
Para não iniciados, pode ser que Kraftwerk and the Electronic Revolution seja longo em demasia, mas há que se ter em mente a importância desses alemães. Eles pertencem à rarefeita casta de artistas pop que mudou e ajudou a definir a sonoridade duma época.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Black Sabbath "atrapalhou" gravação de um dos maiores clássicos da história do rock
Em documentário, Rodolfo Abrantes afirma que "o Raimundos era o Canisso"
O álbum que melhor sintetiza a proposta sonora do AC/DC, segundo Angus Young
Angra anuncia fim do hiato e turnê em celebração ao disco "Holy Land"
Aquiles Priester quebra silêncio e revela por que aceitou reunião com Angra
O melhor álbum da banda Death, segundo o Loudwire
G1 coloca banda de rock entre piores do Lollapalooza 2026: "Engatou a segunda e ficou"
O guitarrista que supera Eric Clapton, segundo Eddie Van Halen: "Mais suave e refinado"
Ill Niño demite guitarrista que não chegou a fazer um show sequer com a banda
A lenda do sertanejo que gravou com Guns N' Roses e Alice in Chains - e engavetou o disco
Paul Di'Anno diz que Iron Maiden ficou pretensioso demais na fase de "Killers"
Por que o Lollapalooza parece ter "só bandas que você não conhece", segundo o Estadão
Fabio Lione detona versão original de música do Angra: "Seria legal dizer que fiz 75% dessa"
Gary Holt comenta a participação de Peter Tägtgren em novo disco do Exodus
A exigente técnica de guitarra que até James Hetfield trapaceia, segundo Gary Holt
"Eu nem sabia que Dave Grohl tinha um baterista", diz Ozzy Osbourne
O filósofo chato que fez Raul Seixas abandonar estudos na universidade e se dedicar ao rock
Dave Mustaine diz que saída de Kiko Loureiro do Megadeth não foi uma surpresa


Krautrock: 5 álbuns para conhecer o estilo



