Malabaristas de Semáforo: rock intenso em Lado B, álbum de estreia
Por Nathália Pandeló Corrêa
Fonte: Build Up Media
Postado em 29 de julho de 2018
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O trio carioca Malabaristas de Semáforo mostra a potência de seu rock sem firulas e direto ao ponto no álbum de estreia, "Lado B". O trabalho entrega uma banda já experiente pelos cinco anos de estrada, ao mesmo tempo que olha para o panorama atual e explora temáticas sociais, políticas e culturais. O disco, com 10 faixas e produção de Celo Oliveira, já está disponível nos principais serviços de streaming, em um lançamento do selo Caravela.
O título do álbum remete não apenas a um lado oposto, mas também ao espontâneo, autêntico e intrínseco. Estampando essa ideia na arte de capa, a banda aponta para o seu lado mais "alternativo" e menos comercial, indo na direção contrária da indústria que, desde os LPs e cassetes, privilegia os singles e canções mais radiofônicas, em detrimento das demais. Nesse caso, o lado B é a verdadeira essência da Malabaristas de Semáforo.
"O conceito do álbum foi explorar nossa diversidade sonora, a sinceridade de composições simples, num paralelo a uma viagem de montanha russa - alternando momentos de tensão e adrenalina com momentos de calmaria e alívio, numa simultânea busca por reflexão através de letras secas e diretas", define o vocalista, baixista e fundador da banda, Cleber ST.
Essa viagem começa pelo single "Tédio", que tem em sua letra um jeito de tarde de domingo, em contraste com a sonoridade embalada pelo stoner rock. A canção foi a primeira do álbum a ganhar um vídeo. Em seguida, "Homem Invisível" aborda a sensação de não-pertencimento quando não se tem voz. Ela abre as portas para "Normose", single mais recente que denuncia a inércia diante dos comportamentos ditados responsáveis por eliminar originalidade e individualidade. A faixa ganhou um lyric video que traz cenas de um cotidiano controlado.
Assista "Tédio":
Assista "Feno":
Assista "Normose":
Essa noção de manipulação e alienação segue em "Feno", remetendo à domesticação, à letargia de quem se alimenta das mesmas fontes sem questioná-las. A única solução é "Vamos Pra Rua Lutar", no espírito de decepção com o sistema e da vontade de virar o jogo. "Mais" traz a noção de que a ganância nos cega para as coisas livres e simples da vida. "Sua Sorte" promove a ideia de ser protagonista da sua própria jornada do herói, enquanto "Anônimo" desconstrói a importância do indivíduo diante da sociedade. "Pretérito Perfeito" é um olhar no espelho e o entendimento de que desistir não é uma opção, encerrando com "O que for", aconteça o que acontecer.
A Malabaristas de Semáforo surgiu em 2013, no subúrbio carioca. Passando por diversas formações até a atual, a banda busca provocar algum tipo de reflexão através de composições intensas que trazem protestos, ironia e pensamentos sobre a vida. Os múltiplos estilos - punk rock, pós punk, indie - valorizam ainda mais a guitarra, os riffs de baixo e a bateria sincopada.
A sonoridade tem influências do punk e pós punk do fim dos anos 70 e 80 de grandes nomes como Joy Division, The Cure, Plebe Rude e Titãs. No indie rock, passeia com arranjos que lembram The Strokes, Bloc Party e Arctic Monkeys. A banda adiciona novos conceitos e influências ao seu rock sem rótulos, resultando num som selvagem, visceral, cru, explosivo e em constante metamorfose, suscetível a diversas interpretações.
Todo esse mix de originalidade ganhou prestígio em 2014, quando a banda disponibilizou 8 faixas no Soundcloud - músicas como "Wesley", "Tédio", "Futuro Presente", "Multidão" e "Feno" obtiveram ótima repercussão do público. Três anos depois, o power trio lançou o primeiro EP "Malabas" (2017), que mostrou 4 canções de rock genuíno. O trabalho recebeu atenção da mídia, ganhando críticas positivas do jornalista Mauro Ferreira, do G1, em seu lançamento.
Formado por Fabrício Cardozo (bateria), Pedro Grisolia (guitarra) e Cleber ST (voz e baixo), o Malabaristas de Semáforo é a união de três novos talentos do rock brasileiro: o baterista incontrolável; o guitarrista prodígio e o músico e letrista inquieto por vocação.
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