Bluyus: "É preciso enxergar o seu valor dentro da banda"
Por Pedro Hewitt
Fonte: FullRock
Postado em 01 de outubro de 2018
Uma boa conversa ocorreu com Alex Bluyus, abordando sobre a constante evolução de sua trajetória e seus projetos ao longo dos anos, lançamento do primeiro registo com a BLUYUS e muito mais.
Pedro Hewitt: Saudações diretamente do Piauí, como você está? Para darmos início a essa entrevista, apresente um resumo sobre a carreira da BLUYUS. Sua história na música é interessante, já existe uma bagagem bem legal.
Alex Bluyus: Saudações amigo, estou indo muito bem! Depois de 20 anos na banda Gestalt com um vinil e um álbum gravados, em dezembro de 2011 decidi seguir carreira solo pra retornar ao autoral, já que a banda Gestalt tinha partido para o cover. Eu já trabalhava em meu EP "Pés na Areia" com o Fred Semensato desde 2010, e em 2012 ele foi lançado. Após o EP comecei a montar uma banda e depois de muitas tentativas chegamos ao trio atual. Ricardo batera já era um velho amigo, desde 1991 e Euclides já havia tocado com o Ricardo tempos atrás. Estava formada a banda em 2014.
Pedro Hewitt: Cantar um Rock bem tradicional na língua portuguesa é bem complicado, por mais simples e organizado que seja, mas vocês colocaram um "tempero" a mais para instigar o ouvinte. Qual a importância da língua pátria pra passar uma mensagem?
Alex Bluyus: Desde muito cedo, com 14 anos mais ou menos eu já compunha, e sempre em inglês. Primeiro porque sonhava em fazer sucesso no mundo e segundo porque era mais fácil. O inglês já soa naturalmente musical. A real importância da língua portuguesa em nosso rock é a comunicação. Quero me comunicar com as pessoas da minha terra, o exterior fica pra uma outra oportunidade.
Pedro Hewitt: O que você pode dizer sobre o cenário Rock atual no Brasil? Principalmente para bandas que tentam apresentar qualidade nas suas letras?
Alex Bluyus: Acredito que o Rock atual está mais vivo do que nunca, pode não estar em evidência, mas está vivo. Tudo depende da capacidade de venda/divulgação do músico. O mercado mudou, hoje podemos gravar e lançar um trabalho com muita facilidade, o que não acontecia na época das gravadoras. A venda do trabalho é que é o grande desafio, e para isso é preciso conhecimento, organização, vontade e direção bem definida pra se chegar ao objetivo. Quanto as letras o meu conselho é que não se contentem com o normal, o comum, tentem sempre melhorar, busquem sempre a perfeição e entendam que alguns sabem fazer letras e outros não. É preciso enxergar o seu valor dentro da banda e saber o seu lugar. Achem dentro da banda o cara que se adapta melhor pra escrever as letras, e se não tiver, arrumem um letrista.
Pedro Hewitt: Seguindo a mesma linha de raciocínio sobre o estilo da BLUYUS, vocês sofreram ou sofrem algum tipo de preconceito devido a sonoridade por parte dos "dos jovens ouvintes"?
Alex Bluyus: Preconceito? Não, de forma alguma. Todo trabalho, independente do estilo, é direcionado para um público. Impossível agradar a todos.
Pedro Hewitt: Atualmente a música segue uma tendência ao "digital" com o crescimento do streaming, mas o amor ao material físico ainda permanece, principalmente com vinis. Qual a melhor forma que vocês utilizam pra poder alcançar o público? Pretendem gravar e divulgar músicas no formato single ou EPs no futuro?
Alex Bluyus: Ainda estamos tentando entender a melhor forma. O que é bom pra uns pode não ser pra outros. O nosso público ainda está sendo revelado pra gente. Pretendemos sim gravar singles e EPs, tudo vai depender do momento que estivermos passando e do nosso entendimento do mercado para o nosso trabalho.
Pedro Hewitt: Com a constante evolução na forma de divulgação, é necessário realizar boas estratégias e construir um portfólio. Sem dúvidas o trabalho da BLUYUS está com uma assessoria competente e profissional. Vocês se preocupam com esses detalhes? De que maneira moldam e tratam a área do marketing?
Alex Bluyus: Sim, nos preocupamos. Estamos engatinhando, aprendendo um pouco a cada dia, mas já chegamos a conclusão que banda nenhuma se sustenta sem assessoria e um marketing, mesmo que seja amador.
Pedro Hewitt: A união faz a força, não é verdade!? Observamos que a BLUYUS é aberta a parcerias com outros artistas, como por exemplo shows com o cantor Bellini e a banda Impéria. Fale mais sobre essas parcerias e se podem ser estendida para os estúdios.
Alex Bluyus: A parceria é uma ótima maneira de se promover, misturar públicos. Sozinho é muito difícil de se chegar a grandes objetivos, sempre dependemos de muitos pra se realizarmos um bom trabalho. Pode sim ser estendida para estúdio, e por falar nisso já estamos com gravação agendada com o cantor Marco Aguyar, vou participar de uma música dele dividindo os vocais.
Pedro Hewitt: Quais medidas geralmente você toma com o objetivo de manter a banda unida, com a chama acesa e focada no desenvolvimento da carreira?
Alex Bluyus: Em primeiro lugar é preciso ver no outro o que ele tem de melhor, não se prender a defeitos, pois ninguém é perfeito. Saber dar valor ao lado bom e saber dizer pro outro que aquilo que ele faz é muito importante para o desenvolvimento da banda. Se algo não vai bem é preciso ser tratado com seriedade e respeito, apontar o dedo não leva a lugar nenhum, aliás leva sim, leva a banda pro buraco.
Pedro Hewitt: Qual a sua opinião sobre artistas que faz sucesso muito rápido e depois some, assim como também união de músicos do Underground pra formar coletivos? Você acha que este método funciona a médio e longo prazo?
Alex Bluyus: Muito difícil opinar sobre artistas que fazem sucesso muito rápido e somem, são muitas razões pra isso acontecer. O que posso dizer é que sinto muito isso ter acontecido pois estar no topo e cair deve ser muito triste. O coletivo é sempre válido, quanto mais melhor, o negócio é a organização pra que tudo gere bons frutos. Com o coletivo muito material é gerado, fotos, vídeos, histórias, entrevistas e tudo mais. Isso faz com que o trabalho dure mais e que também a longo prazo possa colocar o movimento em evidência. Tudo depende da organização do projeto.
Pedro Hewitt: Metas para estes últimos meses de 2018 e início de 2019? O que podemos esperar de novidades da BLUYUS?
Alex Bluyus: A nossa meta agora é entrar no mercado de shows e conseguir ganhar pra sustentar a banda, agora que o produto já está criado e direcionado. O nosso DVD está pronto e vai ser lançado em breve, já soltamos um teaser do show e um clipe da música de trabalho "Todo Amor". O nome do DVD é "Bluyus – Todo Amor Ao Vivo".
Pedro Hewitt: Satisfação total ao tempo concedido, e sem dúvidas merecem total atenção no trabalho executado. Deixe uma mensagem aos nossos leitores!
Alex Bluyus: Se você curte rock faça o seu barulho, incomode mesmo, coloque o som no "talo" e arregace com os tímpanos dos vizinhos. A porcaria que rola hoje no mercado da música é ouvida em alto som e talvez por isso esteja em evidência. Faça a sua parte, ouça rock no volume máximo! Um grande abraço a todos do Whiplash, Rômel Santos e a todos os leitores e rockeiros do nosso Brasilzão!
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