Dave Grohl comenta sobre não tocar músicas do Nirvana desde 1994
Por Igor Miranda
Fonte: Rolling Stone
Postado em 31 de outubro de 2019
O músico Dave Grohl concedeu uma entrevista interessante à Rolling Stone ao lado de Ringo Starr, um de seus grandes ídolos. O líder do Foo Fighters bateu um papo com o baterista dos Beatles e também respondeu a perguntas feitas por um entrevistador.
Em meio à conversa, Dave Grohl foi perguntado sobre a decisão de praticamente não tocar músicas do Nirvana, antiga banda em que era baterista, em sua carreira posterior, seja com o Foo Fighters ou outros projetos. Foram raras as exceções, como a breve reunião em 2018 ou a cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame em 2014. A opção tem bastante a ver com a morte trágica de Kurt Cobain, que tirou a própria vida em 1994, aos 27 anos.
Ao ser questionado se a decisão ajudou a processar a perda, Grohl respondeu: "Quando Kurt morreu, não havia forma certa ou errada de luto. Eram curvas engraçadas. Você ficava paralisado, daí se lembrava das coisas boas, depois se lembra de situações sombrias. Fiquei afastado da música por um tempo, nem ligava o rádio. Depois, percebi que a música era a única coisa que me fazia bem e me ajudaria nisso".
Foi aí que Dave Grohl começou a compor músicas e gravá-las - o resultado está no primeiro álbum do Foo Fighters, autointitulado e lançado em 1995. No disco, Grohl canta e toca todos os instrumentos.
O líder do Foo Fighters destacou, ainda, que é difícil "quando algum de seus amigos se torna alguém que é mais do que um ser humano para os outros". "Você se senta em uma entrevista e alguém te pergunta essas coisas que são muito emocionais, que você nunca perguntaria a um estranho, tipo 'como você se sentiu quando seu irmão ou membro da família morreu'. Não é algo que você pergunta para alguém que acabou de conhecer. Foi difícil por um tempo, mas eu percebi que era importante seguir a vida. Outras vezes antes disso, minha vida foi salva pela música", afirmou.
Embora não tenha explicado o motivo, Dave Grohl comentou sobre não tocar músicas do Nirvana. "Não tenho tocado essas canções do Nirvana mais do que apenas algumas vezes nos últimos 26 anos. De certa forma, estão fora dos limites. Houve algumas vezes, como no Rock and Roll Hall of Fame e um show, talvez, dois anos atrás", disse.
Grohl definiu como uma sensação "engraçada" o fato de tocar essas músicas nos dias de hoje. "Parece que você está de volta com seus amigos na banda, mas algo está faltando. Gravamos uma música com Paul (McCartney, baixista dos Beatles) uma vez: eu, Pat Smear (guitarrista de turnê do Nirvana) e Krist Novoselic (baixista do Nirvana). Foi uma viagem nós três tocarmos juntos novamente. Simplesmente encaixa, é muito fácil. Algumas batidas e parece o Nirvana quando Krist e eu tocamos juntos. Ninguém mais faz aquele som. Durante os 20 minutos, toco com eles e é um sonho. Daí, eu percebo: 'oh, espere, Paul está aqui também'", afirmou.
A entrevista completa, em inglês, pode ser conferida no site da Rolling Stone.
Nirvana, Rock in Rio e emoção
Dave Grohl falou sobre o Nirvana durante o show feito com o Foo Fighters no Rock in Rio 2019, em setembro deste ano.
O músico comentou, inicialmente, que iria tocar uma música dos primórdios do Foo Fighters: "Big Me", que faz parte do primeiro álbum da banda. Em seguida, Dave confidenciou ao público que chorou com a versão que o Weezer fez para "Lithium", clássico do Nirvana, também naquele dia, no Rock in Rio. A banda se apresentou no Palco Mundo logo antes do Foo Fighters.
Com expressão um pouco mais emocionada, Dave Grohl relembrou brevemente da ocasião em que tocou, "há muito tempo", no Brasil com o Nirvana. A banda se apresentou no festival Hollywood Rock, em 1993, e teve performance contestável, especialmente de Kurt Cobain.
Por fim, Grohl dedicou a performance de "Big Me" aos integrantes do Weezer, por terem feito a homenagem. Vale lembrar que a banda liderada por Rivers Cuomo não foi a única a tocar uma música do Nirvana no segundo dia do festival: o Tenacious D, de Jack Black, apresentou uma versão de "Smells Like Teen Spirit", em ritmo de forró, com o baixista brasileiro Júnior Bass Groovador.
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