Metallica: Lars Ulrich diz que não odeia a música "Escape" e explica o contexto dela
Por Igor Miranda
Fonte: Metal Hammer
Postado em 24 de maio de 2020
Dá para dizer que o segundo álbum do Metallica, "Ride the Lightning" (1984), é considerado quase perfeito pelos fãs. A única música que deixa a desejar, para muitos, é "Escape" - para muitos, é uma canção bem mais comercial que a balada "Fade to Black", que foi repudiada por alguns admiradores na época, mas hoje é, consensualmente, uma das favoritas do público.
Por sua pegada considerada mais "radiofônica", até próxima do hard rock, "Escape" se tornou um "patinho feio" e protagonizou até uma lenda urbana de que o baterista Lars Ulrich odiaria a canção. Porém, durante entrevista à Metal Hammer, o músico negou qualquer sentimento negativo com relação à faixa.
"Virou folclórico eu odiar 'Escape'. Não é verdade! Foi a última música composta para 'Ride the Lightning' e a deixamos, propositalmente, um pouco menor que as outras. Pensamos na pegada de 'Run to the Hills' (Iron Maiden) ou 'Living After Midnight' (Judas Priest)... ouso a usar as palavras 'músicas para rádio'. Então, em vez de uma canção tipo 'Seek and Destroy' de 8 minutos, deixamos a duração mais curta", disse o baterista.
Porém, Ulrich reconhece que "Escape" ganhou uma "reputação ruim". "Nem eu sei por que a fama dela ficou ruim. Não tenho um problema em particular com ela, mas a canção nunca se tornou uma boa pedida para os shows em comparação às outras do disco. Isso mostra que é melhor não tentar fazer coisas de propósito", afirmou.
'Escape', a verdadeira 'vendida'
Em entrevista ao podcast de Mitch Lafon, em 2018, o produtor Flemming Rasmussen, que trabalhou em "Ride the Lightning", "Master of Puppets" (1986) e "...And Justice For All" (1988), rotulou "Escape" como a música "vendida" do Metallica. Na época do lançamento do segundo álbum da banda, "Fade to Black" foi a canção que recebeu esse "título" dos fãs mais puristas.
Flemming Rasmussen falou sobre o assunto após ter sido questionado se o Metallica tinha receio de ser abandonado pelos fãs por tirar a velocidade das músicas. "Não, de forma alguma", respondeu o produtor. "Acho que eles tinham grande confiança em suas composições e nas músicas que faziam. A única coisa no 'Ride the Lightning' é que eles fizeram uma música bem curta, que eles meio que fizeram para ter um single", afirmou.
Em seguida, Flemming Rasmussen citou que seria "Trapped Under Ice", mas acabou se confundindo - na verdade, de acordo com o entrevistador, ele se referia a "Escape". "Essa música fez com que eles sentissem que estivessem se vendendo um pouco", disse.
E havia um motivo para estarem em busca de outra postura, segundo Flemming. "Eles estavam no selo Megaforce e eles, desesperadamente, queriam ir para uma grande gravadora. Então, era como agradar um grande selo sem saber o que realmente queriam, já que não tinham ninguém para se 'jogar a bola' junto", afirmou.
Rasmussen destacou que "Escape" foi a única música, entre 1984 e 1988, que provocou tal dúvida nos integrantes do Metallica. "Foi a única vez que conversamos, tipo: 'Essa música é muito curta? Muito pop?'. Foi a única coisa que questionaram. 'Vamos gravar essa música ou não?'. E acabamos gravando", disse.
Depois disso, ainda segundo o produtor, também houve motivo para nunca mais se questionarem. "Eles conseguiram o contrato com uma grande gravadora e foi porque o disco vendeu bem, principalmente, por 'Ride the Lightning', 'Creeping Death' e músicas do tipo. Após isso, eles concluíram: 'nunca vamos tentar agradar a ninguém além de nós mesmos'. Foi no começo da carreira deles e, provavelmente, eles queriam tê-la no caso de ter que mostrar a alguma gravadora. E se dissessem que não havia nenhum single, eles poderiam dizer: 'você pode lançar essa, porque é a mais curta'. [...] E é por isso que eles nunca a tocaram ao vivo", concluiu, aos risos.
Vale destacar que a única performance ao vivo de "Escape", até hoje, ocorreu no festival Orion Music and More, de 2012.
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