Chris Cornell: como era o misterioso cantor na "vida real", segundo Tom Morello
Por Igor Miranda
Postado em 22 de dezembro de 2020
Chris Cornell, que nos deixou em 2017, foi um dos vocalistas mais emblemáticos a surgir com o movimento grunge, na década de 90. O guitarrista Tom Morello, que tocou com Cornell no Audioslave, revelou em entrevista como era o cantor, a quem ele definiu como "um cara misterioso".
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Durante o bate-papo, que rolou no canal "Q on CBC" e teve transcrição do Ultimate Guitar, Morello disse que Cornell era "um cara super mítico na vida real". "Nunca deixei de ser fã de Chris. Ele era um amigo, um colega de banda, mas era um cara misterioso", disse, inicialmente.
Em seguida, Tom destacou que conhecia Chris apenas por encontrá-lo em shows e festas. O primeiro contato real foi quando, acompanhado do produtor Rick Rubin, o guitarrista o visitou e convidou para entrar no Audioslave.
A situação, bastante peculiar, foi narrada por Morello como exemplo de como Chris Cornell era "na vida real".
"Encontrávamos Chris em shows, talvez em churrascos ou coisas assim, mas Tim (Commerford, baixista), Brad (Wilk, baterista) e eu falamos com Rick Rubin e eu fui com Rick à casa de Chris. Ele estava morando em Ojai, que ficava a uma hora e meia de Los Angeles", afirmou.
O guitarrista, então, descreveu o local: "Lá, o céu parece mais escuro e é mais arborizado e quase como Transilvânia. E, claro, a casa de Chris era a mais distante, parecida com um castelo espanhol, na colina mais solitária".
Assim que chegaram, Tom e Rick se depararam com algumas motocicletas, além de uma longa escadaria. "As portas se abriram ao estilo 'A Família Addams', ninguém abriu. Então, chega Chris em sua forma esguia, com seus 1,90m de altura, descendo lentamente as escadas. Rick logo me falou: 'vamos dar o fora daqui' (risos). Sentíamos que nossas almas estavam em perigo", destacou.
Morello apontou que essa história servia para exemplificar que "havia algo diferente com Chris". "Parte significativa da genialidade artística dele estava entrelaçada com esses demônios que estavam ali desde sua infância. Dava para sentir isso nas músicas e letras dele, assim como na vida dele. Havia partes ali que eu jamais tive acesso", disse.
Por fim, o guitarrista declarou que pensa em Chris Cornell todos os dias. "O lado bom é que temos todas essas memórias e esses discos. Ele fez muitas boas músicas, das quais poderemos desfrutar para sempre. Penso nele todos os dias", concluiu.
A entrevista pode ser ouvida na íntegra, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
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