Rush: como Neil Peart se tornou o responsável pelas letras da banda
Por Igor Miranda
Postado em 02 de fevereiro de 2021
Não é comum que um baterista assuma a responsabilidade de criar as letras para as músicas de uma banda. Apesar disso, o saudoso Neil Peart, que nos deixou em 2020, era "o cara" da composição lírica do Rush. Como isso aconteceu?
Em entrevista à Rolling Stone, o vocalista e baixista Geddy Lee contou como essa função caiu nas mãos de Neil Peart. Lee, inclusive, era o autor das letras nos primeiros anos, já que Peart não fazia parte do Rush desde o início - o baterista entrou em 1974, após o lançamento do álbum de estreia, autointitulado, ocupando a vaga de John Rutsey.
"No início, foi um voto de confiança termos aceitado que ele fizesse as letras. Não era a ideia dele. Alex (Lifeson, guitarrista) e eu meio que falamos: 'vamos fazê-lo assumir isso, pois ele lê um monte de livros'", afirmou o músico.
Geddy contou que a primeira letra feita por Neil para o Rush foi "Beneath, Between and Behind", presente no segundo álbum da banda, "Fly By Night" (1975). "E então, quando ele fez 'Anthem', as letras estavam um pouco mais intensas e sobre coisas que não eram bem uma segunda natureza para nosso pensamento - ao menos da forma como era expresso ali. Alex e eu não pensamos em fazer daquele jeito, nem combinamos nada", disse.
A sensação inicial foi de estranheza, já que as letras de Neil Peart eram bem mais sofisticadas que as de Geddy Lee. Eram diferentes, até mesmo, do padrão do rock naquela época, pois adotavam uma abordagem mais culta e elaborada.
Conforme o trio se conhecia um pouco melhor, tudo ficava mais natural. "Quando caímos na estrada e pudemos nos conhecer mais, além de trocarmos materiais de leitura, acho que pudemos entender melhor Neil e ele conseguiu nos entender melhor também. Ele sempre nos inspirava a ler algo fora de nossa zona de conforto e isso nos fez criar uma aceitação àquele estilo de letras", declarou Lee.
Apesar disso, as reações iniciais de parte do público às letras de Neil Peart não foram das melhores. "Muitas pessoas adoraram, mas outras se sentiram perturbadas por aquilo, pois não era o Rush no qual eles haviam 'investido' no álbum anterior. Era, definitivamente, uma banda nova", afirmou.
Manuscritos medievais
Brian Hiatt, jornalista que conduziu a entrevista à Rolling Stone, contou a Geddy Lee que Matt Scannell, vocalista do Vertical Horizon que compôs com Neil Peart, revelou a ele que o baterista apresentava suas letras em um estilo manuscrito, quase medieval. Lee confirmou que Peart também mostrava suas composições aos colegas de Rush da mesma forma.
"As letras eram todas escritas à mão e tinham desenhos no topo. Ele adorava desenhos que descreviam a música. Os títulos eram sempre ornamentados. Era como começava. Mesmo que ele precisasse refazer a letra umas quatro ou cinco vezes, elas sempre eram apresentadas da forma devida. Ele quase nunca fazia algo em máquina de escrever ou coisa do tipo", afirmou.
Mesmo na "era dos computadores", Neil Peart caprichava na apresentação de suas letras aos colegas. "Ele conseguiu achar uma maneira de tornar suas apresentações o mais engenhosas possíveis. Era uma grande fonte de orgulho para ele. No início, quando compúnhamos na estrada, ele colocava os nomes das cidades onde estávamos, para servir como um pequeno diário de viagens", disse.
Mudanças nos anos 80
A sonoridade do Rush passou por grandes mudanças na década de 1980, ganhando contornos um pouco mais pop, devido ao uso de sintetizadores e outros elementos daqueles tempos. As letras também passaram por essa alteração na proposta, ficando mais "terrenas", conforme descrito por Brian Hiatt.
Geddy Lee pontuou: "As letras focaram mais sobre a condição humana. Você poderia dizer se ele estava falando sobre uma ou outra parte da condição humana, ou até mesmo usando a ficção científica como ferramenta, mas começou a ter um estilo mais aberto e tradicional. Gravitei muito nisso, pois me ajudou como compositor e em termos da direção que eu queria seguir".
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Baterista do Megadeth ouve Raimundos pela primeira vez e toca "Eu Quero Ver o Oco"
As duas bandas de metal que James Hetfield não suporta: "Meio cartunesco"
João Gordo anuncia rifa com disco do Iron Maiden autografado por Bruce Dickinson
Dave Mustaine revela suas inspirações: "As pessoas perdem a cabeça quando conto o que ouço"
Angra celebrará 30 anos de Holy Land com show em Porto Alegre em setembro
Glenn Hughes não pretende fazer novos álbuns no formato classic rock
O álbum do Metallica que "reação foi mais cruel do que o esperado", segundo Lars Ulrich
Os dois melhores álbuns dos anos 1970, segundo David Gilmour
A banda que definiu os EUA nos anos 1960, segundo Robert Plant
10 bandas de rock que já deveriam ter se aposentado, segundo o Guitars & Hearts
Angra era hippie e Megadeth era focado em riffs, explica Kiko Loureiro
A clássica música dos Rolling Stones que Keith achava que não tinha ficado legal
O lendário bootleg do Led Zeppelin que mostra por que a banda era outra coisa ao vivo
O álbum dos anos 1990 que Mick Jagger considera perfeito: "Cada faixa é um nocaute"
A música do Emerson, Lake & Palmer que melhor representa o trio, segundo Carl Palmer

Anika Nilles admite que não ouvia muito Rush; "Basicamente, estou começando do zero"
Anika Nilles dedica até seis horas diárias à preparação para turnê do Rush
Regis Tadeu e o álbum que salvou o Rush da ruína; "um ato de insurgência artística"
A canção dos anos oitenta do Rush com a qual Neil Peart nunca ficou satisfeito
O clássico do prog que Neil Peart disse que era a trilha sonora de sua vida
O baixista mais importante que Geddy Lee ouviu na vida; "me levou ao limite como baixista"
As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
A melhor banda que Geddy Lee, vocalista do Rush, já viu ao vivo


