O que disseram os críticos sobre "Sgt. Pepper's", dos Beatles, em seu lançamento?
Por André Garcia
Postado em 08 de fevereiro de 2022
Divisor de água, o álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967) mudou a cara não apenas do rock, mas da música como todo. Com mais de 30 milhões de cópias vendidas, chegou às lojas em 2 de junho e está entre os mais vendidos de todos os tempos.
Foi gravado após um hiato entre o final de 66 e o começo de 67, quando John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr seguiram caminhos separados. De saco cheio da beatlemania e sua imagem de boy band, o quarteto entrou em estúdio incorporando um alter-ego porque estavam "fartos de serem os Beatles", como definiu o baixista à Rolling Stone.
Aquele foi o primeiro trabalho produzido pelos quatro rapazes de Liverpool após abandonarem as apresentações ao vivo. Livres da obrigação de reproduzir as músicas no palco com os pífios equipamentos da época, a expectativa era alta. Todos queriam ver o que eles seriam capazes de fazer como uma banda de estúdio, experiente e com total autonomia.
Mas e os críticos da época? O que eles acharam do álbum? Bom, ao contrário do que se pode imaginar, a recepção não foi unanimemente positiva. Embora as avaliações fossem em sua maioria favoráveis, os críticos ficaram divididos, até mesmo confusos. Entre os que não se impressionaram temos:
"Soa como um exuberante e dissonante pastiche. O clima é suave, até nostálgico, mas, assim como sua capa, no geral é poluído, moderninho e desordenado. Como uma criança paparicada, 'Sgt. Pepper's’ é mimado. Fede a trompetes, harpas, gaitas, sons de animais e orquestra, tudo de uma só vez — os Beatles não são ouvidos instrumentalmente."
Richard Goldstein no New York Times em junho
"’Sgt. Pepper’s’ é uma consolidação, sendo mais intrincado que ‘Revolver’, mas não mais substancial. Parte do erro (...) foi permitir que todos os filtros, efeitos, orquestras e retoques soterrassem as coisas boas."
Robert Christgau na Esquire em dezembro
Já entre os que reconheceram de imediato o disco como uma verdadeira obra de arte temos:
"Qualquer uma dessas músicas é mais criativa do que o que se ouve atualmente nas estações de rádio pop. Mas em relação ao que outros grupos têm feito ultimamente, 'Sgt Pepper's' é principalmente significativo como crítica construtiva. Uma espécie de obra-prima da música pop examinando tendências e corrigindo inconsistências aqui e ali, levando a um rumo que merece ser seguido. A maior inovação foi a banda musical na faixa-título, em sua reprise e seu interlúdio, 'Being for the Benefit of Mr. Kite'."
William Man no London Times em maio
"‘Sgt. Pepper’s’ não é um desenvolvimento contínuo linear, mas uma erupção. Uma realização impressionante para a qual não havia quem estivesse preparado, portanto, substancialmente expande e transforma todo seu trabalho anterior. Somos levados de volta aos Beatles do começo, e não apenas para confirmar que a banda sempre foi a melhor do gênero. Em vez disso, ouvimos a uma gestação genial que frutificou. A audição do ‘Sgt. Pepper’s’ entra não apenas para a história da música popular, mas para a história da música deste século."
Richard Poirier no Partisan Review no outono
"Eleger o melhor da nova poesia literária britânica é uma tarefa simples. Para justificar a óbvia escolha do novo trabalho dos Beatles basta sua última faixa, ‘A Day in the Life’. Música tolamente banida pela BBC por dizer ‘Eu adoraria te excitar’, é um arraso, uma demonstração soberba de sua surpreendentemente eficaz arte popular."
Jack Kroll na Newsweek em junho
Curte o Sgt. Pepper’s? Então confira aqui o que significa a referência aos Stones em sua capa!
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