Show do Dream Theater em São Paulo foi tão empolgante quanto cerimônia de batismo
Por Mateus Ribeiro
Postado em 06 de setembro de 2022
Imagine que você acordou de ressaca às 6 horas da manhã de um domingo. Enquanto tenta levantar da cama e recapitular tudo o que aconteceu na noite anterior, seu cérebro te lembra de um compromisso inadiável: a cerimônia de batizado do filho de um casal de amigos.
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O programa acima citado parece ser tão empolgante quanto o show que o Dream Theater fez em São Paulo dia 31 de agosto. A maior banda de metal progressivo de todos os tempos desfilou técnica e virtuosismo durante as duas horas da apresentação, mas o repertório da atual turnê está longe de ser a oitava maravilha do mundo moderno.
Nas duas horas que esteve no palco do Tokio Marine Hall, o Dream Theater executou dez músicas, o que não chega a ser uma surpresa, afinal de contas, o quinteto é conhecido por suas canções extremamente longas.
Como era de se imaginar, a maioria das músicas tocadas no show faz parte do álbum mais recente do grupo, "A View From The Top Of The World", lançado em outubro de 2021. "The Alien" e "Awaken The Monster" têm seus bons momentos, mas "Invisible Monster" é sem sal e nem de longe lembra os melhores momentos do Dream Theater. A faixa que dá nome ao último trabalho da banda é uma maratona que poderia facilmente ser substituída por dois ou três clássicos da banda.
E por falar em clássicos, aí está um dos problemas do show na opinião deste redator. Nenhuma música dos excelentes "Images And Words" e "Metropolis, Pt. II: Scenes From A Memory" foi tocada. Os ótimos "Octavarium" e "Falling Into Infinity" também foram esquecidos.
Os melhores momentos da apresentação ficaram por conta de "6:00", "Endless Sacrifice" e da emocionante "The Count Of Tuscany". A interminável "The Ministry Of Lost Souls", a curta "About To Crash" e "Bridges In The Sky" completaram o repertório alternativo da apresentação.
No final das contas, o Dream Theater jogou com o regulamento debaixo do braço e fez um show para fãs "die hard". Não que a apresentação tenha sido uma desgraça completa, afinal de contas, se trata de uma banda com músicos muito técnicos e que não brincam em serviço. Porém, existem algumas músicas que funcionam melhores que outras em shows. "Pull Me Under", "Metropolis, Pt. I: The Miracle And The Sleeper", "The Mirror", "Peruvian Skies", "Home", "Panic Attack", "Forsaken" ou "The Enemy Inside" poderiam facilmente substituir as citadas "The Ministry Of Lost souls", "Bridges In The Sky" e "A View From The Top Of The World".
É claro que a banda não iria mudar o setlist no meio da turnê. Confesso que quando bati o olho, não senti nenhuma empolgação, mas imaginei que ao vivo a coisa pudesse funcionar melhor. Não foi o caso. E se algum dia no futuro eles tocarem esse repertório nas proximidades da minha casa, eu irei dormir em algum hotel de outra cidade para não correr o risco de ouvir novamente essa coletânea do tédio.
Setlist
"The Alien"
"6:00"
"Awaken The Master"
"Endless Sacrifice"
"Bridges In The Sky"
"Invisible Monster"
"About To Crash"
"The Ministry Of Lost Souls"
"A View From The Top Of The World"
"The Count Of Tuscany"
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