Quando Raul Seixas "se vendeu ao sistema", mas deixou escondida uma sementinha anárquica
Por Bruce William
Postado em 06 de outubro de 2022
Neste novo vídeo de seu canal do youtube, Júlio Ettore, jornalista e especialista em Rock Nacional, comenta sete curiosidades envolvendo "Carimbador Maluco" do Raul Seixas.
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Depois de contextualizar a época, a situação do Raul naqueles tempos e como ele foi parar num especial da TV, Júlio relata que a música, como era de se esperar, foi mal recebida por uma boa parte do público do Raul. "Imagina um Maluco Beleza, um cara da Sociedade Alternativa, do Bhagavad Gita, o questionador e tudo mais... aparecendo num especial infantil da Globo!", diz Júlio, que um pouco adiante reproduz um pequeno trecho do livro "Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida", de Jotabê Medeiros: "O inesperado sucesso da música de Raul era enriquecido por um videoclipe de maluco sob controle, Raul de capacete laranja com hélice, capa e gravata, um agente de alfândega dos voos da imaginação alheios, que invadia um dos programas de maior audiência da Rede Globo".
Com isso, surgiram muitas críticas a Raul, como explicaram Sylvio Passos e Toninho Buda no livro "Raul Seixas - Uma Antologia": "Muita gente caiu de pau em cima dele. Principalmente quando ele ganhou o seu 2º disco de ouro, com o sucesso da música. Afinal de contas, o grande anarquista, o inimigo do Monstro Sist tinha finalmente se vendido ao sistema! Lá estava ele, dançando fantasiado entre as criancinhas na Rede Globo de Televisão".
Mas Raul deixou uma "mensagem subliminar" escondida na letra que ninguém percebeu, e que aparece destacada no livro do Sylvio Passos e Toninho Buda, que é uma passagem extraída do livro "A Ideia Geral de Revolução no Século XIX", escrito em 1851 por Pierre-Joseph Proudhon, que retrata a ideia de uma sociedade onde fronteiras não existiriam, estados-nação seriam abolidos, não existindo poder central ou leis únicas para todos, exceto para o poder residente nas comunidades e associações locais, o que acabaria se tornando um clássico da filosofia anarquista.
O trecho transcrito do livro diz o seguinte: "Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, notado, registrado, recenseado, tarifado, selado, medido, cotado, avaliado, patenteado, licenciado, autorizado, rotulado, admoestado, impedido, reformado, reenviado, corrigido". As partes destacadas foram usadas na letra da música, o que deixa implícito que o burocrata interpretado por Raul seria uma metáfora do estado impedindo as pessoas de circularem livremente. No caso, representadas pelas crianças na nave espacial.
Júlio então destaca mais um trecho do livro do Jotabê Medeiros onde se lê: "Raul critica a xenofobia, que faz erigir fronteiras, muros para separar os povos, e a dificuldade de se transitar com liberdade entre as nações".
O vídeo completo com mais curiosidades e histórias sobre "Carimbador Maluco" pode ser visto no player abaixo.
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