The Police: Sting comenta o "sinistro" significado da letra de "Every Breath You Take"
Por André Garcia
Postado em 01 de novembro de 2022
The Police foi formado na segunda metade dos anos 70 por Stewart Copeland, Andy Summers e Sting, esse último seu baixista, vocalista e líder. Combinando elementos do punk (na época hegemônico pelos bares e clubes de Londres) com reggae e pop, criou um som inconfundível e irresistível. Além de refrões que grudam na cabeça repetidos (quase) à exaustão, tinha também letras de fácil identificação sobre vulnerabilidades emocionais — afinal de contas, quem não as tem?
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A banda, já em seu álbum de estreia, "Outlandos d'Amour" (1978), emplacou hits como "So Lonely", "Roxane" e "I Can't Stand Losing". Com o passar do tempo, fez um crescente sucesso, até seu último álbum, "Synchronicity" (1983). Esse trabalho marcou seu auge de popularidade, em muito graças ao seu maior hit: "Every Breath You Take", a vencedora do Grammy de melhor música daquele ano.
"Every Breath You Take" se trata de uma composição de estrutura tão simples que seu autor, Sting, parecia ver como um demérito. Conforme publicado pela American Song Writer, certa vez ele disse: "Aquela música tem uma estrutura de balada pop, mas sem desenvolvimento harmônico após o middle 8, sem liberação de emoção."
Por mais que seja interpretada como uma canção romântica, o baixista chamou atenção para o fato de que a maioria das pessoas a entenderam ao contrário: "Essa música é muito, muito sinistra e feia. As pessoas, na verdade, a entenderam errado como sendo uma doce canção de amor, quando, na verdade, está mais para o contrário."
Em uma entrevista mais antiga, essa de 1991 para o The Independent, ele contou como a música surgiu:
"Eu acordei no meio da noite com aquele verso na cabeça, [então] sentei no piano e a escrevi em meia hora. A música em si, é genérica, segue a linha de centenas de outras, mas a letra é interessante. Ela soa como uma confortante canção de amor, [mas] não me dei conta na época de como ela é sinistra. Acho que eu devia estar pensando em Big Brother, em vigilância e controle."
"Nenhuma liberação de emoção ou alteração no ponto de vista do narrador. Ele está preso em seu círculo obsessivo. Claro, eu não tive consciência de nada disso. Para mim, eu estava só escrevendo uma música de sucesso — tanto que se tornou uma das canções que definiram os anos 80", concluiu.
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