O álbum do Led Zeppelin com uma mentira, mas não era para enganar os fãs
Por Bruce William
Postado em 29 de dezembro de 2022
A trágica morte precoce de John Bonham em 25 de setembro de 1980 colocou um fim definitivo ao Led Zeppelin, embora tenham sido realizados alguns pouquíssimos shows posteriores creditados ao grupo. "Gostaríamos que soubessem que a perda de nosso querido amigo e o profundo sentimento de harmonia indivisível entre nós e nosso empresário nos levaram a decidir que não podemos continuar como éramos", dizia um comunicado distribuído para a imprensa no começo de dezembro, assinado pela banda.
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Mas o Led Zeppelin ainda devia um álbum para a gravadora Atlantic, e também possuía dívidas de impostos que precisavam ser quitados. Shows estavam totalmente fora de cogitação, inclusive dois dos três integrantes sobreviventes já estavam tocando sua vida em termos artísticos: em fevereiro de 1982 Page havia lançado a trilha sonora de "Death Wish II" e Plant colocaria em junho de 1982 seu disco solo de estreia nas lojas, o "Pictures at Eleven". Somente John Paul Jones estava afastado da música, vivendo com sua família.
Sendo assim, a solução foi lançar o tal álbum póstumo. Mas não foi tão fácil produzir o disco, conforme confessou o guitarrista Jimmy Page em entrevista de 2015 com The Guardian: "Bem, não foi um álbum feito (somente) para pagar impostos, mas era um trabalho contratual. Foi um álbum difícil. Perguntam: 'Qual o álbum que foi mais difícil de ser feito?' e foi esse. Era um trabalho póstumo onde tivemos que usar sobras de estúdio, pois não tínhamos mais nada em mãos. Não era como ter um álbum pronto em mãos, pois obviamente não tínhamos, muito longe disso. É aquilo ali, e ele não teria sido lançado se eu não pensasse que havia um lugar pra ele (na discografia do Led). Foi difícil juntar as peças".
"Coda" saiu em 19 de dezembro de 1982, trazendo originalmente oito músicas registradas ao longo da carreira de uma década do Led Zeppelin entre o final dos anos sessenta e final dos anos setenta. "Ele foi lançado, basicamente, por haver muito material pirata por aí. Pensamos 'Bem, se há tanto interesse, então podemos trazer à tona o resto de nosso material de estúdio'", disse Page, em trecho de entrevista reproduzida no wikipedia, de onde vem, inclusive, todas as fontes usadas neste texto.
Notem que Page se referiu ao "Coda" como sendo uma compilação de sobras de estúdio. De fato, nos créditos do álbum temos no lado A do vinil: "We're Gonna Groove", gravado no Morgan Studios de Londres, 25/06/69; "Poor Tom", gravado no Olympic Studios de Londres, 5/6/70; "I Can't Quit You Baby", gravado durante ensaios para o Royal Albert Hall de Londres, 9/1/70 e "Walter's Walk", gravado pelo Rolling Stones Mobile no Stargroves em 15/5/72. No lado B temos "Ozone Baby", gravado no Polar Studios de Stockholm, 14/11/78; "Darlene" gravado no Polar Studios de Stockholm, 16/11/78; "Bonzo's Montreux" gravado no Mountain Studios de Montreux em 12/9/76 e "Wearing And Tearing" gravado no Polar Studios de Stockholm em 21/11/78.
Quase todas as músicas sofreram ajustes e acréscimos de instrumentos para o "Coda". Mas duas faixas do álbum simplesmente não correspondem ao que está na capa: "We're Gonna Groove" e "I Can't Quit You Baby"; a primeira trata-se de uma versão gravada ao vivo no dia 9 de janeiro de 1970 no Royal Albert Hall remixada com overdubs nas partes de guitarra e com o áudio da plateia suprimido. Já "I Can't Quit You Baby" não é do ensaio mas sim uma versão editada da música tocada no mesmo show, que sairia muitos anos depois em versão completa no DVD "Led Zeppelin". Qual o objetivo disso? No livro "Led Zeppelin: All the Albums, All the Songs", Martin Popoff aponta que, ao que tudo indica, Jimmy Page disse que "We're Gonna Groove" era uma faixa de estúdio e "I Can't Quit You Baby" retirada de um ensaio pois, no contrato, o Led Zeppelin estava devendo um álbum de estúdio para a Atlantic.
Mas mesmo sendo uma obrigação contratual, Page não queria usar qualquer coisa, ele poderia simplesmente ter lotado o disco com quaisquer sobras de estúdio que o problema seria resolvido, e o disco venderia do mesmo jeito, apenas pelo fato de carregar consigo o famoso nome. Mas Page insistiu em manter o caráter artístico do Led Zeppelin, ele jamais deixaria alguma coisa ser lançada sob o nome da banda sem que ele, pessoalmente, aprovasse e cuidasse do que está sendo lançado e, principalmente, sem que fosse de agrado dos fãs: "Quando comecei a pensar originalmente sobre esse álbum, optamos por fazer algo da melhor forma possível, dentro daquelas circunstâncias, explicou Page em conversa com a Daily Beast. "Obviamente alguns se desapontaram, pois queriam um novo álbum, ao invés de algo póstumo, e não queriam que John Bonham tivesse partido. Mas, quem é que iria querer que isso tivesse acontecido?"
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