Titãs e a polêmica música que ajudou a destruir aqueles que a proibiram
Por Bruce William
Postado em 15 de fevereiro de 2023
O jornalista e historiador do rock nacional Júlio Ettore conta, neste vídeo, a história de "Bichos Escrotos", faixa que abre o lado B do álbum "Cabeça Dinossauro" e se tornou um dos grandes clássicos do Titãs.
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Júlio relata que, em 1982, os Titãs estavam gravando uma demo num estúdio de São Paulo quando Nando Reis, Arnaldo Antunes e Sérgio Britto decidiram ir para o lado de fora bater papo e fumar. Eis que olham para um ralo do chão onde estava saindo uma barata. Alguém pegou e falou "Bichos, saiam dos lixos". "Baratas, me deixem ver suas patas". "Ratos, entrem nos sapatos". E assim eles escreveram a primeira parte da letra.
Depois Júlio exibe no vídeo o trecho do livro "A vida até parece uma festa - A história dos Titãs" de Hérica Marmo e Luiz André Alzer, em que é relatado em detalhes como o trio escreveu a segunda parte da letra literalmente berrando nas noites paulistanas enquanto iam caminhando e parando de bar em bar para beber mais um pouco, até chegar na janela de Paulo Miklos e sua esposa, onde fizeram uma serenata com a música às seis da manhã e foram, obviamente, "gentilmente dispensados" por Paulo!
Embora estivesse até meio que incorporada no repertório, a banda decidiu não colocar a música nos dois primeiros discos pois tinham certeza que ela seria censurada. "Mas em 1986 ela tinha tudo a ver com o 'Cabeça Dinossauro', que era um disco que tinha como proposta ser mais pesado e firmar a banda como um grupo de rock mesmo, jogar pra longe aquele rótulo de grupinho new wave", conta Júlio no vídeo, explicando que daí eles enfrentaram os censores, e depois de uma certa negociação tiveram a música liberada, desde que não cantassem o verso "vão se foder".
Mas eles nem precisavam: nos shows e apresentações, o público cantava aquela frase proibida da canção que estourou a ponto de rádios decidirem pagar a multa para executar a música em sua programação, que caiu nas graças do público graças à letra que faz críticas à hipocrisia, falsidade e arrogância presentes na sociedade, representando as pessoas como "bichos escrotos", enquanto aborda temas como desigualdade social, racismo e corrupção, e questiona a validade de certos valores e padrões estabelecidos pela sociedade. "E ela acabou virando um grito contra a censura, que duraria mais dois anos e deixaria de existir no Brasil em 1988", finaliza Júlio.
Veja, no vídeo a seguir, mais detalhes e outras histórias sobre a música.
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