A música que o U2 parou de tocar após atentado terrorista de 11/9 por causa da letra
Por André Garcia
Postado em 21 de setembro de 2024
Uma obra de arte possui inúmeros significados - o significado que uma obra tem para seu autor é apenas um deles. Quando um álbum, um livro, um filme (ou algo assim) é lançado, ele deixa de pertencer a seu autor para pertencer a cada uma das pessoas que se relacionar com aquilo.
"Há tantos quadros na parede, há tantas formas de se ver o mesmo quadro", já cantava Humberto Gessinger.
Como se não bastasse uma obra possuir inúmeros significados, eles podem (e vão) passando por mudanças provocadas por acontecimentos históricos ou mesmo pelo surgimento de uma nova geração com sua própria cultura.
Ao longo da história do rock vimos muitas bandas se transformarem da água para o vinho de uma hora para outra. Na arte da metamorfose temos como o maior mestre seria Bob Dylan, que já perdi as contas de quantas vezes mudou de gênero musical (e até mesmo personalidade) como uma cobra troca de pele. E um de seus maiores discípulos foi David Bowie.

O U2 entrou para o rol de metamorfos musicais no começo dos anos 80, ao trocar o pretensioso pop messiânico do "The Joshua Tree" (1987) e "Rattle and Hum" (1988) pela postura cínica e pela música eletrônica com o "Achtung Baby" (1991).
Quando lançou "Pop" (1997) a banda dobrou a aposta no cinismo e no eletrônico. Só que, como os tempos já eram outros, sem o frescor de outrora aquilo não caiu na graça dos fãs e da crítica. Por anos ele foi considerado o pior disco do U2 para muitos fãs, principalmente aqueles que nunca realmente engoliram aquela nova fase.
"Pop" ficou conhecido na época como o disco onde Bobo e companhia tentaram fazer techno music entre aqueles que não o ouviram. Quem ouviu sabe que em sua maioria as músicas estão mais para baladas superproduzidas (como "Stating at the Sun" e "Wake Up Dead Man") do que para música de boate (como "Discotheque" e "Mofo").
Dessas músicas mais lentas, uma das melhores é "Please", que, segundo o setlist.fm, o U2 não toca desde os atentados de 11 de setembro de 2001 — que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque.
Segundo o Songfacts, Bono justificou isso: "'Setembro, ruas virando, derramando, escorrendo pelos ralos; cacos de vidro feito chuva'. [A letra se referia] ao bombardeio das Docklands em Londres, e o fracasso das negociações de paz na Irlanda do Norte. Só que depois de 11 de setembro ficou impossível cantar aquilo."
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O gênero musical cujo nome não faz sentido algum, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
O guitarrista favorito de todos os tempos de James Hetfield do Metallica
Isa Roddy, ex-vocalista do Dogma, ressignifica balada do Black Sabbath
O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
A banda nacional com canções "mais fortes que o desempenho dos caras" conforme Regis Tadeu
"Até quando esse cara vai aguentar?" O veterano que até hoje impressiona James Hetfield
O guitarrista que custou mil dólares por dia a David Gilmour; "eu queria bater nele"
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
A importante lição que Steve Harris, do Iron Maiden, aprendeu com o Genesis
Os 3 veteranos do rock que lançaram álbuns que humilham os atuais, segundo Regis Tadeu
O dia que Ozzy achou que estava contando segredo sobre Black Sabbath para brasileiro
Pra tocar no Dream Theater, não dá pra estar no modo "deixa a vida me levar", segundo Rudess
O disco do Black Sabbath que Bruce Dickinson considera um dos melhores de todos os tempos
200 shows internacionais de rock e metal confirmados no Brasil em 2026
O pior momento do Rush, segundo Neil Peart; "não dava nem pra pagar a equipe"

O cantor que Bono disse que ninguém conseguiria igualar; "ninguém podia ser como ele"
A canção que Bono diz que vem tentando reescrever durante toda a carreira
O dia em que Romário foi assistir a um show do U2 - e não gostou do que viu
Pollstar divulga lista dos 25 artistas que mais venderam ingressos no século atual
Q Magazine: os melhores dos anos 80


