Tony Iommi não conseguiria se destacar como guitarrista hoje em dia; "Não consigo ser assim"
Por Bruce William
Postado em 28 de novembro de 2024
Nos primórdios do Rock, a guitarra era vista mais como um complemento rítmico e melódico. B.B. King, com seu vibrato característico, mostrou que o instrumento podia transmitir emoção como a voz humana. Algum tempo mais tarde, Jimi Hendrix elevou esse conceito, transformando a guitarra em uma extensão de sua criatividade. Usando amplificadores em volumes extremos e técnicas de feedback controlado, ele reinventou a maneira de tocar e ouvir o instrumento.
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Com o tempo, a guitarra deixou de ser apenas emocional para também ser técnica. Nos anos 70 e 80 guitarristas vinham aperfeiçoando novas técnicas até que surgiu Eddie Van Halen, que revolucionou o instrumento ao aprimorar técnicas como o tapping em escalas rápidas e inovadoras, o que abriu caminho para guitarristas como Yngwie Malmsteen, que misturou a precisão do virtuosismo com a musicalidade da música clássica, criando solos impressionantes que pareciam desafiar os limites humanos.
Por outro lado, o Blues e o Rock mais simples nunca perderam espaço. Guitarristas como Derek Trucks e Joe Bonamassa mantêm viva a tradição de priorizar a alma e o feeling em suas execuções. Enquanto alguns exploram a complexidade técnica, outros reafirmam que, muitas vezes, uma única nota bem tocada é mais poderosa do que a execução de mil.
E como bem pontou a Ultimate Guitar, replicando declarações de Tony Iommi para a Guitar World, parece ser da natureza de Iommi nunca criticar qualquer tipo de música, mas como ele é de outra geração, naturalmente algumas tendências da cena atual do Metal estão muito distantes de sua abordagem.
E uma dessas tendências é o surgimento de músicos extremamente técnicos, embora ele reconheça que são "brilhantes" em sua arte: "Os guitarristas técnicos de hoje são brilhantes. Até mesmo pessoas bem jovens, tocando em seus quartos, fazem coisas incríveis. Mas eu sempre volto às raízes do Blues, procurando a verdade me voltando para dentro de mim. Eu não penso no que pode impressionar as pessoas ou quebrar limites de velocidade. A única coisa que importa para mim é como soa para mim mesmo."
Em outro momento da entrevista, o guitarrista do Black Sabbath ainda complementou o raciocínio: "Algumas das guitarras que ouço hoje são técnicas demais. Você tem que ser preciso nesta nota ou naquela. Eu não consigo ser assim, se faço um solo em um álbum, ele nunca é igual ao vivo. Eu faço algo parecido, mas nunca exatamente igual."
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