Eric Clapton conta como foi tocar com um músico esquizofrênico que assassinou a própria mãe
Por André Garcia
Postado em 10 de novembro de 2024
O rock é repleto de histórias: histórias de superação, de amor, de rivalidades, de redenção, de genialidade, de sucesso, de fracasso… Há também verdadeiras histórias de terror, como o caso Charles Manson — um dos crimes mais chocantes do século passado nos Estados Unidos. Esquizofrênico, ele via nas músicas dos Beatles mensagens subliminares destinadas a ele ordenando que ele fizesse o que fez.
Outra história que parece saída da mente de Stephen King é a de Jim Gordon, que brilhou no começo dos anos 70 ao lado de Eric Clapton no Derek & the Dominoes com "Layla and Other Assorted Love Songs" (1970). É ele que você ouviu sua vida inteira no hit "Layla". Inclusive, ele é co-autor da faixa e aquele piano inesquecível no final era a namorada dele tocando.

O trágico era que, como Dr. Jekyll e Mr. Hyde, Jim Gordon sofria de um quadro não diagnosticado de esquizofrenia paranoica aguda. Em 1983 ele teve seu pior surto paranoico, que resultou na morte de sua própria mãe. Ele foi preso e encarcerado permaneceu até sua morte em 2023.
Quase 10 anos depois, em entrevista para a Rolling Stone no começo da década de 90 Eric Clapton confessou que aquilo ainda o perturbava.
"Estou morrendo de medo disso! Parte de mim diz que estou em dívida com ele e que tenho que entrar em contato… só que estou com medo. Eu já tinha medo dele lá [em 1971] no final do Derek and the Dominos.
"Uma das razões pelas quais terminamos a banda foi que o relacionamento entre mim e Jim, que sempre foi muito bom, havia se rompido. E foi no meio de uma sessão [de gravação], quando estávamos tentando fazer um segundo álbum de estúdio: eu disse algo sobre o ritmo estar errado para a música, e Jim respondeu algo tipo 'Ah, os Dixie Flyers estão na cidade, você pode conseguir o baterista deles'."
Gato escaldado tem medo de água fria. O Slow Hand estava traumatizado de tocar em bandas repletas de tensões e brigas internas depois dos turbulentos Cream e Blind Faith (que não por acaso compartilhavam o baterista e encrenqueiro Ginger Baker). Assim que viu seu amado Derek and the Dominoes indo para o mesmo caminho, o guitarrista literalmente pegou suas coisas e foi embora para nunca mais voltar:
"Eu larguei minha guitarra no chão e fui embora do estúdio; nunca mais falei com ele. Só que eu nem imaginava que ele tinha um histórico psicótico de ter visões e ouvir vozes desde muito jovem. Aquilo nunca transpareceu quando a gente tocava junto; parecia ser… só más vibrações — do pior tipo. Eu jamais diria que ele estava ficando louco, para mim eram só drogas."
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