As bandas de rock nacional dos anos 1980 que não saíam dos ouvidos de Roberto Carlos
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de abril de 2025
O "Rei" ouvia rock brasileiro — e muito. Em entrevista à revista Bizz, publicada em 1988, Roberto Carlos revelou que não apenas acompanhava de perto a cena nacional dos anos 1980, como admirava diversos artistas que marcaram a geração. Para além de sua imagem clássica de baladas românticas e ternos bem passados, o cantor mostrou sensibilidade e atenção ao que havia de mais moderno no país à época.

"Eu gostaria de dizer uma coisa muito séria", afirmou, com firmeza. "O rock brasileiro é da maior qualidade, não fica a dever nada ao rock, nem inglês, nem americano." Em tempos em que a chamada geração do rock brasileiro dominava rádios e festivais, Roberto fez questão de destacar que estava atento — e impressionado — com o que ouvia.
Entre os nomes que mais o conquistaram, ele foi direto: "Gosto muito do Paralamas", disse, citando ainda o "rock romântico do Lulu Santos" e o trabalho do Leo Jaime, que considerou "um menino com sacadas incríveis". Demonstrando que conhecia o repertório, comentou também a obra da Legião Urbana, elogiando especificamente os dois primeiros discos. "Tem um trabalho muito bom do Legião, deste disco e do anterior também."
A menção a Ultraje a Rigor foi acompanhada de um comentário sobre o tom bem-humorado e provocativo da banda. "Gosto das sacadas do Ultraje", disse. E se alguém esperava conservadorismo musical do cantor, a surpresa ficou clara em sua naturalidade ao reconhecer a evolução do gênero. "O som teve enorme evolução. O rock contribuiu com isso e se beneficiou disso."
Roberto Carlos e suas influências
Roberto fez questão de contextualizar esse interesse com uma visão pessoal e sincera: "Falávamos muito de pescaria, do carro, do namoro, do beijo na esquina... e agora estão falando de coisas sérias", disse, referindo-se às temáticas sociais e políticas exploradas por bandas como Titãs e João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, com quem também demonstrou afinidade.
Apesar da admiração pelo que era novo, o artista também relembrou sua formação musical, e como nomes como Tony Bennett e Bee Gees influenciaram seu gosto e sua carreira. "Naquela época eu ouvia Tony Bennett porque ele sempre foi o maior cantor do mundo. E os Bee Gees... eu gostava porque faziam um som romântico mais encorpado, mais moderno para a época", disse.
A memória é precisa: "Fui ver um show deles e fiquei deslumbrado com os cuidados, a qualidade do som em geral. Eram uma base para mim." Roberto lembrou até de frases específicas que dizia ao gravar: "Eu quero o baixo dos Bee Gees", brincou, entre risos. E completou: "O som de baixo que gostei mais sempre foi o deles e do Paul McCartney."
Mesmo com essa bagagem internacional, o cantor fez questão de valorizar o que era produzido no Brasil. "O rock brasileiro é da maior qualidade", repetiu. E ressaltou que essa percepção também o aproximava dos filhos, que compartilhavam com ele novas descobertas sonoras. "Isso contribui para que eu tenha um conhecimento geral do que está rolando."
Nos bastidores, longe dos palcos e da imagem consolidada de ícone da música romântica, Roberto Carlos ouvia, gostava e aprendia com a geração que redefinia o som brasileiro. Ele não apenas reconhecia a força dos novos artistas, como via nisso um amadurecimento do país e da música. "Hoje é um dia todo tipo de música, e da minha própria iniciativa, mas também a que meus filhos ouvem."
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