O álbum do The Who que Roger Daltrey acha que nunca deveria ter sido lançado
Por Bruce William
Postado em 09 de abril de 2025
Após a morte de Keith Moon em 1978, o The Who entrou em uma nova fase. Substituir um baterista tão criativo e instável era uma missão ingrata, mas Kenney Jones assumiu as baquetas e a banda seguiu em frente. No início da década seguinte, lançaram "Face Dances" (1981), com bons momentos como "You Better You Bet", que ainda mantinham certa identidade com o passado.
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Mas foi o álbum seguinte, "It's Hard" (1982), que causou tensão dentro do grupo, principalmente com Roger Daltrey. Para ele, o disco não fazia jus ao nome da banda. "Eu disse: 'Pete, isso é um completo pedaço de merda e nunca deveria ser lançado!'", disse durante conversa com o Ultimate Guitar. Daltrey sentia que as composições soavam distantes, e o próprio processo de criação já demonstrava que algo havia se rompido entre ele e Townshend.
Musicalmente, o disco trazia faixas com forte presença de teclados, uma sonoridade que Daltrey considerava artificial e sem alma, o oposto da pegada de álbuns como "Who's Next". "Eminence Front", por exemplo, virou single e ganhou destaque, mas era cantada por Townshend, não por Daltrey, e o tom era quase uma despedida. A letra falava de encenação, de uma fachada, algo que soava mais como desabafo do que como provocação.
Pete Townshend parecia ciente de que o espírito original do The Who havia se perdido. Para ele, manter a banda ativa talvez fosse mais uma formalidade do que uma motivação verdadeira. Daltrey, por sua vez, percebeu isso no estúdio e não escondeu seu desagrado. As brigas entre os dois se intensificaram, e o álbum acabou lançado mesmo com o vocalista totalmente contrário à ideia.
Apesar de tentativas posteriores de manter o legado vivo, como o "Endless Wire" em 2006, "It's Hard" permanece como um dos discos mais contestados da discografia da banda. Roger Daltrey sempre foi conhecido por sua entrega vocal e seu instinto direto, e ali, ele simplesmente não se reconhecia no que estava sendo feito. Para ele, lançar aquele disco foi como trair o que o The Who representava. E, ao que tudo indica, não era só ele que sentia isso.
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