A música do Sex Pistols inspirada no Abba, que os caras ouviam o tempo todo
Por Bruce William
Postado em 07 de abril de 2025
Em julho de 1977, os Sex Pistols embarcaram em sua primeira turnê pela Escandinávia. Foram doze shows: dois na Dinamarca, dois na Noruega e oito na Suécia, encerrando com duas noites no clube Happy House, em Estocolmo. A viagem deu à banda uma chance rara de tocar ao vivo, algo difícil no Reino Unido por causa da má fama que carregavam, relata a Louder.
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Mas o que pouca gente sabia era que, por trás da agressividade e da crueza do punk, os Pistols tinham um lado bem mais leve, e dançante. Durante toda a turnê, a única fita cassete que eles ouviam era do Abba. "Eles tinham uma fita só, e era Abba", contou uma jornalista norueguesa que acompanhou a banda. "Eles tocavam o tempo todo, 24 horas por dia."
Sid Vicious, fã declarado do grupo sueco, viveu seu momento de glória quando encontrou os integrantes do Abba por acaso, num aeroporto. "Estávamos bebendo o dia todo porque os voos estavam cancelados. O Sid não aguentava bebida", lembrou John Lydon. "Assim que viu o Abba, todos de branco, parecendo ursos polares, saiu correndo: 'Abba!' - e vomitou na frente deles. Eles ficaram horrorizados. Acho que fomos levados embora por uma viatura."
Glen Matlock, baixista original da banda, também era fã e chegou a se inspirar em "SOS", do Abba (youtube), para criar o riff de "Pretty Vacant" (youtube). "Não copiei nota por nota", garantiu em 2017. "Mas a estrutura da música me deu a ideia."
Para Steve Jones, guitarrista da banda, a turnê foi um alívio. "Parecia que havia uma conspiração pra nos impedir de tocar no Reino Unido", escreveu em sua autobiografia chamada "Lonely Boy" (ainda inédita no Brasil). "Então caímos fora e fomos fazer uma turnê na Escandinávia." Sobre a Suécia, ele ainda acrescentou: "Não era só que as garotas eram bonitas, elas gostavam de sexo, diferente das minas do norte da Inglaterra com tornozelos grossos e costas cheias de espinha. Desculpa se a verdade dói.">/o:
Entre vômitos, Abba no toca-fitas e muita provocação, os Pistols seguiram sendo o que sempre foram: imprevisíveis. Uma banda que berrava contra o sistema, mas ouvia música pop no fone de ouvido e idolatrava um grupo sueco vestido de branco. Punk? Com certeza. Mas com um lado bizarro e deliciosamente contraditório.
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