Quando Chico Buarque apontou o que seria a solução para o rock brasileiro
Por Bruce William
Postado em 12 de maio de 2025
Chico Buarque nunca escondeu seu gosto por música brasileira, mas também nunca foi exatamente um inimigo declarado do rock, como muitos pensam. Na verdade, ele rejeita qualquer tipo de exclusividade: "Sou contra, por exemplo, a só se ouvir sambão o dia todo, ou só rock. Não há quem aguente. Eu não aguento", disse em entrevista à revista Bizz, publicada na edição de abril de 1988.

Para ele, o problema não está no gênero, mas na rigidez. Chico achava o rock "empobrecedor" quando era consumido em excesso por jovens em fase de formação musical. Mas logo explicava que a nova geração - como a da filha - era mais aberta, sem preconceitos: "Qualquer coisa, se for boa, eles gostam mesmo! Não têm distinção, não há preconceito algum."
Ao ser perguntado sobre o rock brasileiro, Chico disse que tinha lido e ouvido "coisas bem interessantes". Elogiou especialmente o conteúdo das letras: "A nível de letra, tem coisas muito boas. A linguagem rock... é muito interessante." Musicalmente, ele admitiu não ter tanto domínio para opinar. Mas ressaltou que o rock o influenciou quando jovem: "Eu ouvia Elvis Presley."
Na visão dele, o Brasil sempre assimilou influências estrangeiras, mesmo quando isso gerava polêmica. Lembrou que Pixinguinha foi acusado de ser "influenciado pelo jazz", e que a bossa nova, para muitos, era considerada "música norte-americana". Para Chico, hostilizar o rock por isso era pura bobagem: "Hoje tem essa coisa de querer hostilizar o rock; isso é besteira."
O ponto central veio a seguir. Chico defendia que o rock só teria força no Brasil se conseguisse absorver de fato a identidade nacional: "Eu me interesso pelo rock na medida em que ele vá sendo assimilado ou que ele assimile também elementos de música brasileira." Para ele, do contrário, a música brasileira seguiria "a reboque da música de fora".
Ele acreditava que a solução estava na mistura — tanto para ele, quanto para os artistas de rock. "Acho que, assim como podem entrar elementos de rock na minha música, o rock nacional tem de assimilar elementos da música brasileira, rítmicos ou harmônicos." Isso abriria caminho para algo realmente novo: "Pode se criar uma coisa inteiramente nova."
Chico encerrava com otimismo. Dizia que o Brasil tem uma música forte, universal, e que o rock nacional, quando for mesmo brasileiro, "vai ter condições de sair por aí, ser exportado e de arrebentar".
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