A última noite de Raul Seixas: o relato do zelador que o viu pela última vez com vida
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de julho de 2025
Um dos maiores ícones do rock brasileiro, Raul Seixas viveu os últimos anos em reclusão e fragilidade, longe dos palcos que o consagraram. Em 21 de agosto de 1989, ele foi encontrado morto, aos 44 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória causada por pancreatite crônica e hipoglicemia. Quem o viu pela última vez foi o zelador do edifício onde o cantor morava, no bairro da Bela Vista, em São Paulo.
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Antônio Soares Souza, funcionário do Edifício Aliança, relatou em entrevista ao livro "O Raul que me contaram", de Tiago Bittencourt, como foi a última noite em que viu o artista. Segundo ele, Raul chegou ao prédio por volta da meia-noite e meia, já com dificuldades. "Ele chegou por volta de uma meia-noite e meia, porque ele vivia bem ruim", lembra o zelador. "Fui eu que ajudei ele a entrar, do portão até o elevador, né? Fui eu que pus ele pra subir. Apertei, deixei ele no andar e falei pra ele dar um jeito de sair lá, porque eu não podia acompanhar ele, porque eu estava sozinho no setor de trabalho." Em seguida, o cantor apenas balançou a cabeça e disse: "Tudo bem".
Segundo o livro, durante os últimos quatro anos, Raul era acompanhado de perto por Dalva, que entrava no prédio pela manhã e saía à noite. "Era a secretária dele, né? Ela que cuidava das coisas dele lá", contou o zelador.
Ao saber da morte do cantor, a comoção foi imediata. "O pessoal querendo invadir, ficou lotado, foi tirado pela garagem, né?", relatou. "Foi gente, bastante gente... o pessoal até chamou a polícia pra poder segurar o pessoal. Foi assim, nesse corredor aqui. Foi uma gente chorando, cantando... Foi assim."
A história do declínio de Raul, porém, começou bem antes. Em entrevistas, nomes próximos a ele relataram como o cantor entrou num processo de autodestruição nos anos 1980. Segundo o amigo Sylvio Passos, Raul não quis se render à estética comercial da época. "Ele dizia que não queria ser um artista fake e ficar bonitinho na televisão sendo que a realidade dele era visceral", explicou. O álcool, as decepções e o isolamento agravaram seu estado físico e mental. "Estava muito inchado, entregue."
O guitarrista Rick Ferreira também testemunhou essa fase delicada. Segundo ele, nos últimos meses, Raul mal conseguia gravar. "Tinha dias que ele chegava no estúdio e era impossível gravar. Estava ficando complicada a situação." A última vez que se viram foi em um show surpresa no dia 3 de junho de 1989, em São Paulo. "O Raul não tinha ideia que eu ia entrar no palco. Quando me chamaram, ele falou: ‘Não acredito!’", lembrou Rick.
Morte de Raul Seixas
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