O integrante do Floyd com talento que Waters não possuía; "levei 15 anos para chegar perto"
Por Bruce William
Postado em 23 de setembro de 2025
Como todos sabemos, Roger Waters assumiu a liderança do Pink Floyd logo após a saída de Syd Barrett. Em uma entrevista de 1987 ao jornalista C. Salewicz, o baixista explicou que simplesmente tomou as rédeas porque ninguém parecia disposto a fazê-lo. "Eu assumi a responsabilidade, em grande parte porque ninguém mais queria. Isso ficou claro quando comecei a escrever a maior parte do material a partir de então. Sei que posso ser uma personalidade opressiva, porque estou sempre fervilhando de ideias, e de certa forma era mais fácil para os outros apenas me acompanhar", comentou.
Quando perguntado se foi difícil substituir Barrett como líder, Waters deixou claro que, como figura de comando, não teve problemas. Mas havia algo que ele reconhecia não conseguir igualar. "Syd como escritor era único. Eu nunca poderia aspirar às percepções e aos insights enlouquecidos que ele tinha. Na verdade, durante muito tempo eu nem sonharia em reivindicar qualquer insight. Sempre creditei Syd pela conexão que ele fazia com seu inconsciente pessoal e com o inconsciente coletivo. Levei quinze anos para chegar perto."

Waters ressaltou que esse talento de Barrett tinha um lado ambíguo, capaz de impulsionar a criação e, ao mesmo tempo, cobrar um preço alto. "O que permitia que Syd enxergasse as coisas como ele via? É como perguntar por que um artista é um artista. Eles simplesmente sentem e veem as coisas de forma diferente das outras pessoas. Em certo sentido é uma bênção, mas também pode ser uma terrível maldição." Para ele, Barrett representava o arquétipo do artista intenso, que vive entre o fascínio da inspiração e o peso de suas próprias sombras.
Mesmo em seus dias mais instáveis, Barrett produziu obras de grande impacto. Waters lembrou do trabalho em "The Madcap Laughs", disco solo lançado em 1970, no qual ele e David Gilmour participaram das gravações. "Apesar de estar claramente fora de controle quando fez seus dois álbuns, parte do trabalho é impressionantemente evocativo. É sobre valores, crenças e sentimentos profundamente sentidos. Talvez seja isso o que 'The Dark Side of the Moon' tentou alcançar. Uma sensação parecida."
Para Waters, o que havia em Syd não poderia ser simplesmente aprendido ou copiado. Era algo que surgia de uma conexão rara entre fragilidade e genialidade. Essa herança artística, mesmo marcada pelo drama pessoal, continuou a ecoar dentro do próprio Pink Floyd. Ao assumir o comando, Waters trilhou outro caminho, mas sempre carregando a certeza de que aquele talento inicial era insubstituível - e que sua sombra ainda pairava sobre a trajetória da banda.
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