A melhor música do Pearl Jam de todos os tempos, segundo Mike McCready
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de setembro de 2025
A cena de Seattle sempre foi conhecida por acolher outsiders musicais, o que abriu espaço para que o grunge florescesse no início dos anos 1990. Bandas como Nirvana e Pearl Jam deram voz a uma geração, mas, como lembra Dale Maplethorpe em matéria para o Far Out, o caminho começou antes, com grupos como o Mother Love Bone, que pavimentaram o som que viria a ser lapidado pelo Pearl Jam.
Entre os vários capítulos da carreira da banda, o guitarrista Mike McCready elege um momento especial: a entrada do baterista Jack Irons, em 1994. O impacto foi imediato, já que ele trouxe novas ideias rítmicas que abriram espaço para experimentações. Uma dessas contribuições resultou em "Who You Are", faixa do álbum "No Code" (1996).

Segundo Eddie Vedder, Irons permitiu que o grupo ousasse mais: "Percebi que tínhamos uma chance de experimentar estilos diferentes", contou o vocalista. O próprio Irons revelou que a batida da música vinha de longe: "Eu toco esse padrão desde os oito anos. Foi inspirado por um solo de Max Roach que ouvi quando era criança".
Para McCready, o resultado foi arrebatador. Ao relembrar a primeira vez em que ouviu "Who You Are", o guitarrista não escondeu o entusiasmo: "Fiquei totalmente impressionado. Achei que era a melhor música que já tínhamos feito".
Mais sobre o álbum "No Code"
Lançado em agosto de 1996, "No Code" foi o quarto álbum de estúdio do Pearl Jam - e talvez o mais divisivo de toda a carreira da banda. A capa, composta por 144 polaroides, já antecipava a proposta experimental de um trabalho que fugia das expectativas do público acostumado ao grunge visceral de "Tem' ou ao peso de "Vs.." Canções como "Who You Are", "In My Tree" e "Smile' exploravam texturas diferentes, enquanto faixas mais íntimas como "Off He Goes" e "Present Tense" mostravam um Eddie Vedder mais reflexivo.
Segundo o jornalista Paul Robson, em artigo para o site Guitar.com, o disco foi fundamental não só para a sobrevivência, mas também para a longevidade artística da banda. "Em 1996 o grunge já estava em declínio, mas em vez de desaparecer, o Pearl Jam fez No Code e, ao fazer isso, encontrou o segredo da vida eterna", escreveu.
A guinada experimental quase custou caro. Robson lembra que a decisão do grupo de se afastar do estrelato massivo poderia ter sido um suicídio de carreira. Mas foi justamente essa ousadia que consolidou uma base de fãs leal, que acompanha o Pearl Jam em turnês mundiais até hoje. "Quando você abre o encarte, aparece o triângulo 'No Code', que significa 'não ressuscitar'. Eddie Vedder disse que aquilo era simbólico: se a banda estivesse morrendo, que deixassem morrer. Eles não queriam viver como vegetais", destacou o jornalista.
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