O hit dos Titãs que a banda parou de tocar por fãs acharem que é discurso contra Lula e PT
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de setembro de 2025
O rock brasileiro sempre carregou a fama de ser contestador, especialmente nos anos 1980, quando bandas como Titãs, Legião Urbana e Cazuza eram sinônimo de críticas sociais e políticas. Mas em tempos mais recentes, essa postura passou a ser vista de forma diferente - e, em alguns casos, até deturpada.
Em entrevista ao podcast Desculpincomodar, o tecladista e vocalista Sérgio Britto, dos Titãs, comentou sobre como o discurso contestador do rock acabou se diluindo com o passar dos anos e exemplificou com uma música dos Titãs que acabou saindo do repertório: "Vossa Excelência", lançada como single em 2005.

Britto reconheceu que o rap assumiu boa parte do papel de protesto que antes era atribuído ao rock: "De certa maneira tá no rap, né, que faz isso como os próprios Racionais. Mas eu acho que no rock, quando você já disse o que tinha para dizer, ficar repetindo aquilo… a tendência é você enfraquecer o discurso, fazendo versões pioradas de algo que já disse."
Titãs e a música "Vossa Excelência"
Ao citar "Vossa Excelência", o músico explicou que a canção não foi escrita por ele, mas representava uma indignação geral contra a corrupção. No entanto, com o tempo, a letra passou a ser interpretada como um ataque partidário.
"A música não era direcionada a um ou outro. Era escancarando isso que a gente está cansado de ver acontecer. Mas como hoje você tem que tomar partido, fica parecendo que é uma música anti-Lula, ou então contra Bolsonaro. E não era nenhum dos dois. Era contra tudo isso."
A letra, que fala em "juízes, deputados, senadores e a corrupção", ganhou contornos inesperados com a polarização política. Segundo Britto, até o público passou a questionar as intenções da banda ao tocar o hit.
"Para você ter uma ideia, a gente até tirou ela do repertório porque ficou muito assim: vocês estão tomando partido de quem? Quem são os corruptos dos quais vocês estão falando? E não é nenhum especificamente. É o sistema."
O tecladista ainda fez uma reflexão mais ampla sobre a corrupção no Brasil. "Não precisamos fazer muito esforço. Basta abrir o jornal para ver a corrupção disseminada na sociedade brasileira, do porteiro ao juiz, passando por deputado, polícia e até pela mistura da polícia com o tráfico."
Confira a entrevista completa abaixo.
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