Maior canal de crítica musical do mundo se pergunta: "Onde estão os metaleiros?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de novembro de 2025
Nos últimos anos, uma pergunta começou a circular entre músicos, produtores, jornalistas e fãs mais atentos: o metal perdeu espaço entre o público jovem? A dúvida voltou com força depois que Rick Beato - produtor, educador musical e dono de um dos maiores canais de música do YouTube - publicou um vídeo analisando dados de streaming e buscando entender o que aconteceu com a base de ouvintes do gênero. Segundo ele, há um "declínio perceptível no número de pessoas que escutam metal", especialmente entre os mais novos.

Para entrar no assunto, Beato comparou bandas recentes com nomes consagrados. Ele explica que o foco da análise veio do Spotify, já que a plataforma "é a que realmente publica seus números". A lista de grupos contemporâneos mostra que apenas uma banda ultrapassa 10 milhões de ouvintes mensais: Bring Me The Horizon, com 13,6 milhões. Logo abaixo estão Ghost, Pierce the Veil, Falling in Reverse, Bad Omens e Sleep Token - todos bem distantes das cifras das lendas do metal.
Rick Beato e heavy metal
A diferença fica ainda mais evidente quando Beato coloca lado a lado artistas das novas gerações com gigantes históricos. Ele destaca que Linkin Park tem 53,7 milhões de ouvintes mensais, enquanto o Metallica mantém 31,4 milhões. Na sequência aparecem System of a Down, Limp Bizkit, Disturbed, Black Sabbath, Slipknot e Ozzy Osbourne. Beato observa que "essas bandas não são apenas maiores - elas são muito maiores" do que os nomes emergentes, ainda que muitos deles sejam populares dentro de nichos específicos.
O produtor também chama atenção para o número reduzido de músicas de metal que ultrapassaram 1 bilhão de streams. São apenas 16 faixas, e boa parte pertence aos mesmos grupos: Linkin Park, Metallica, System of a Down, Limp Bizkit e Black Sabbath. Ele lista os principais exemplos, como In the End ("2.8 bilhões"), Numb ("2.5 bilhões") e Enter Sandman ("1.8 bilhão"). Para Beato, esses números mostram que "as novas bandas simplesmente não chegam nem perto do impacto cultural" dos artistas clássicos.
Tentando entender o fenômeno, Rick resgata uma entrevista de 2000 com o produtor Terry Date (Pantera, Deftones, Soundgarden). No texto, Date afirma: "O som pesado fica no topo por uns sete anos, depois outra coisa toma o lugar, e então ele volta mais sete anos depois." Beato diz que essa teoria do ciclo explica parte da história, mas acredita que existe algo mais profundo acontecendo. Segundo ele, "os jovens não tocam instrumentos como antes" e isso quebra um elo que historicamente aproximava adolescentes do metal. "A conexão de muita gente com a música pesada vinha do ato de tocar", afirma.
Beato também traz a opinião de um amigo, Mike, que tem filhos adolescentes. Ele comenta que hoje há menos senso de comunidade e rebeldia associada à música: "Se o garoto toca alguma coisa, está no quarto, com fone de ouvido, mexendo no Line 6. Não existe aquele momento de sair da escola bravo, encontrar os amigos e montar uma banda barulhenta." Ele complementa dizendo que falta um "estilo de vida", algo que, no passado, acompanhava quem mergulhava no rock e metal.
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