A banda lendária que apresentou Tom Morello ao "Espírito Santo do rock and roll"
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de novembro de 2025
Antes de se tornar um dos guitarristas mais inventivos e politicamente engajados do rock moderno, Tom Morello era apenas um adolescente fascinado por seus heróis das seis cordas. Como muitos músicos iniciantes, passou os primeiros anos tentando imitá-los. Praticava até oito horas por dia, inspirado por nomes como Randy Rhoads, Eddie Van Halen, Yngwie Malmsteen e Steve Vai. Começou a tocar aos 17 anos, idade em que já se considerava "atrasado" em relação aos colegas - um sentimento que o levou a mergulhar de cabeça no estudo técnico da guitarra.
Essa dedicação lhe deu uma base sólida, mas o próprio Morello admite que, naquele período, faltava originalidade ao seu estilo. Com o nascimento do Rage Against the Machine, percebeu que precisava ir além da técnica. "Eu era o DJ da banda", brincou certa vez, ao explicar como começou a explorar sons não convencionais e a transformar ruídos em parte da linguagem musical do grupo. As falas foram reunidas pela Far Out.

Para isso, Morello precisou se libertar das convenções e buscar uma conexão mais emocional com o instrumento. Ele passou a enxergar a guitarra não apenas como ferramenta de virtuosismo, mas como um meio de expressão ilimitado. "Não havia teto", disse em entrevista, sobre a liberdade que encontrou ao experimentar timbres e efeitos.
Mas antes de se tornar o guitarrista que reinventou o rock político dos anos 1990, houve uma banda que despertou nele o verdadeiro "espírito" da música: o Kiss. Em entrevista ao The Line of Best Fit, Morello afirmou que o grupo liderado por Paul Stanley e Gene Simmons foi essencial em sua formação, desde os primeiros passos como fã até o momento em que se viu como artista. "Esses são os marcos da minha evolução - de fã, a músico, a artista", explicou.
Falando especificamente sobre o álbum "Destroyer" (1976), o guitarrista foi enfático: "Por causa das fantasias elaboradas, o Kiss era minha banda favorita antes mesmo de eu ouvir uma nota. Eu era fã de quadrinhos, então foi uma transição natural. O peso da música me tocou, e o escapismo dos personagens - o compromisso com aquele poder do rock - foi o começo da minha jornada de ser possuído pelo Espírito Santo do rock and roll."
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