O guitarrista que, segundo Slash, "ninguém mais chegou perto de igualar"
Por Bruce William
Postado em 11 de novembro de 2025
Slash cresceu até virar um dos rostos mais reconhecíveis da guitarra rock justamente por não soar como todo mundo ao redor. Em vez de entrar na corrida pelo virtuosismo vazio da reta final dos anos 1980, ele puxou referências de gente como Joe Perry, Joe Walsh e Eric Clapton, filtrando tudo num estilo mais áspero, bluesy e emotivo, que apareceria com força em "Appetite For Destruction". Ainda assim, quando fala de quem realmente mudou os parâmetros do instrumento, ele não aponta para si mesmo.
Ao lembrar do cenário em que começou a levar a guitarra a sério, Slash cita um nome como divisor de águas: Eddie Van Halen. O primeiro álbum do Van Halen, lançado em 1978, já mostrava um guitarrista que reorganizou o vocabulário do rock, popularizando o tapping, abusando dos harmônicos, brincando com a alavanca e, principalmente, soando diferente de tudo o que vinha antes. Foi esse pacote que impressionou o futuro integrante do Guns N' Roses.

Slash recorda que, assim que Eddie explodiu, praticamente todo guitarrista passou a tentar imitá-lo. Segundo ele, a maioria focou apenas nos truques visíveis: tapping, efeitos com a ponte, licks rápidos. Mas, na visão de Slash, o segredo estava em outra camada. "Eu nem tinha começado [a tocar guitarra] naquele momento. Comecei no ano seguinte, mas quando comecei a tocar guitarra, todo mundo estava tentando imitar o Eddie e todos meio que estavam se concentrando nas técnicas óbvias, no tapping, nos harmônicos, nas coisas da barra de tremolo e todas essas técnicas realmente ótimas que Eddie tinha. Mas o jeito que ele fazia era parte de sua personalidade e era tão parte de sua sensibilidade melódica que tinha esse tipo de fluidez musical que ninguém depois disso jamais chegou perto daquele estilo de tocar guitarra", afirmou.
É justamente aí que, para Slash, nasce a diferença entre copiar e entender. Ele admite que poderia ter seguido esse mesmo caminho, mas preferiu construir seu som em outra direção, mais próxima do blues e do hard rock setentista, quase como uma resposta contemporânea a Jimmy Page em vez de uma tentativa de ser "mais um Eddie". A reverência vem acompanhada de uma constatação simples: não adiantava repetir os movimentos se a forma de pensar música não era a mesma.
Na leitura de Slash, por mais que inúmeros guitarristas tenham tentado superar ou ao menos igualar o impacto técnico de Eddie Van Halen, ninguém conseguiu reproduzir aquilo que interessava de verdade: o conjunto de invenção, melodia e personalidade que transformou aquelas ideias em algo único. As palavras do guitarrista do Guns N' Roses reforçam a impressão compartilhada por muita gente desde então: por trás de toda a pirotecnia, o que mantinha Eddie intocável não era a velocidade, mas o modo singular como fazia a guitarra cantar.
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