O compreensível critério que David Gilmour adotou para escolher seu novo produtor
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de novembro de 2025
David Gilmour sempre foi um artista que prefere o caminho menos óbvio. Seja nos solos improvisados que mudam a cada show, seja nas escolhas de parceiros musicais, o lendário guitarrista do Pink Floyd costuma seguir a intuição - mesmo que isso signifique contrariar expectativas. Em entrevista recente ao podcast Broken Record (via Ultimate Guitar), o músico explicou por que decidiu trabalhar com um produtor que "não conhecia" sua obra ou a da banda que o consagrou – o Pink Floyd.
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O escolhido foi Charlie Andrew, nome conhecido por trabalhos com Alt-J, Marika Hackman e Sivu, e vencedor do Mercury Prize logo no primeiro disco que produziu. Segundo Gilmour, essa distância estética e geracional foi justamente o que o atraiu. "Charlie Andrew não me conhecia direito, nem minha música, nem a do Pink Floyd", afirmou. "Ele vem de uma era diferente da música, e esse tipo de coisa é inestimável. Você quer ser desafiado, quer que ele diga se algo está errado."
O produtor de David Gilmour
O guitarrista ressaltou que o maior perigo de ter uma carreira de sucesso é o medo que as pessoas sentem de contrariar você. "É um dos perigos de ter um certo sucesso: as pessoas ficam muito assustadas em discordar de alguém na minha posição", observou. "Uma das coisas mais agradáveis sobre o Charlie é que ele não tinha esse medo. Ele vinha direto com perguntas e discordâncias. Foram poucas, na verdade, mas quando aconteceram, mudamos algumas direções e foi sempre para melhor."
Para Gilmour, esse tipo de colaboração é essencial para manter o frescor criativo. "Às vezes a gente precisa de um empurrão, precisa olhar as coisas de outro ângulo. E ele foi muito bom nisso", disse, destacando que Andrew trouxe novas ideias de arranjo e textura para o álbum Luck and Strange, previsto para o segundo semestre.
O músico revelou ainda que, antes de escolher Andrew, chegou a cogitar produtores veteranos, como Rick Rubin. "Pensamos em Rick Rubin e em outras pessoas que já estão por aí há um bom tempo, que eu conheço ou conheço de nome", contou. "Mas cheguei à conclusão de que não queria trabalhar com nenhum deles." A ideia de buscar alguém mais jovem partiu da esposa, a escritora Polly Samson. "A Polly sugeriu que procurássemos produtores mais novos, que estivessem em destaque. Vimos online que o Charlie Andrew ganhou o Mercury Prize com o Alt-J, e ela me disse: 'Escute Alt-J. Escute Marika Hackman e Sivu'. Havia algo de fresco naqueles discos que nos atraiu muito."
Gilmour, que completou 78 anos em março, dá a entender que essa busca por renovação é também uma maneira de não se repetir. "Quando você trabalha com gente que não tem medo de dizer o que pensa, é mais fácil encontrar novos caminhos", comentou. "O perigo está em se cercar de pessoas que acham tudo ótimo só porque foi você quem fez."
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