O disco do Metallica que para James Hetfield ainda não foi compreendido; "vai chegar a hora"
Por Bruce William
Postado em 02 de novembro de 2025
Houve quem resumisse o Metallica como uma banda que faz "música raivosa". Hetfield não discorda do sentimento, mas rebate o que considera ser uma mera caricatura: "Acho que a raiva tem má fama. Vêm as conotações de que algo ruim vai acontecer ou algo vai quebrar, mas, pra mim, a raiva é um jeito bom de passar seu ponto muitas vezes - de um modo saudável, sem degradar ou ferir outra pessoa. É uma energia da qual todos nos alimentamos."
É esse filtro da "emoção legítima" que, segundo ele, explica por que um certo álbum segue recebendo pancada. Lançado em 2003, "St. Anger" virou alvo assim que lançado: caixa "metálica" de timbre estridente, ausência de solos e um clima de atrito constante afastaram parte do público. O resultado foi um disco que soou autossuficiente e, para muitos, áspero demais.

Dentro da banda, a percepção não era tão negativa. O grupo enxergava ali um recomeço de fôlego, já com Robert Trujillo integrado ao time (as gravações contaram com baixo de estúdio, mas a fase de turnê já foi com ele). A leitura interna era de energia renovada e menos "forçada", ainda que isso não tenha se traduzido de imediato na reação dos fãs.
Hetfield, por sua vez, nunca renegou o registro, justamente pelo critério que ele considera inegociável, relembra a Far Out. "É honesto", disse sobre o álbum. "Você pode não se identificar com ele, ou não gostar do som. Mas era onde a gente estava na época, e foi isso que colocamos no mundo. Vai chegar a hora, talvez [...] Talvez não!"
Hetfield deixa claro que não se trata de convencer ninguém a gostar, e sim de sustentar que o disco documenta um estado real da banda. Para quem busca "autenticidade" antes de polimento, essa é a defesa possível de "St. Anger": um retrato cru, feito para existir daquele jeito sem solos, com arestas à mostra.
Vinte anos depois, o álbum segue dividindo opiniões. Há quem o ouça novamente com outros ouvidos e quem mantenha todas as reservas de 2003. O fato é que "St. Anger" permanece como peça documentada da trajetória do Metallica; contestada, mas fiel ao momento em que foi criada, exatamente como Hetfield descreveu.
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