As duas performances na bateria que Phil Collins quer guardar para sempre na memória
Por Bruce William
Postado em 17 de fevereiro de 2026
Phil Collins tem um caso curioso com o próprio legado como baterista. Quando perguntam "qual foi a sua grande performance?", ele não pensa muito e nem tenta elencar uma lista infinita, em tom de vaidade. Ele escolhe de forma objetiva duas situações bem objetivas, e fala de ambas como quem está descrevendo um trabalho que deu certo.
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A primeira é do Genesis, e ainda por cima uma música que já nasce com bateria na cara: "Mama", do álbum "Genesis" (1983). Nas palavras de Collins [via Far Out]: "Algumas músicas capturam aquele momento, sabe? 'Mama' é um bom exemplo." A ideia dele é simples: ali está engarrafada a energia do jeito que ele tocava ao vivo: pegada, dinâmica, construção e aquele final mais "pesado" que cresce sem pedir desculpa.
A segunda escolha foge do óbvio porque não é um clássico do Genesis, nem um hit "de rádio" do Collins solo. Trata-se de "Walking on the Chinese Wall", do álbum "Chinese Wall", do Philip Bailey. Na fala, ele crava: "'Chinese Wall', no álbum do Philip Bailey, é outra." E completa: "Eu tenho muito orgulho da bateria naquela faixa."
O disco saiu em 1984, com produção do próprio Collins. Esse detalhe da produção pesa porque o Collins está em tudo ali: ele produz o álbum, toca bateria e ajuda a dar aquela "parede" de som que segura o vocal do Bailey. É um projeto que ele parece enxergar como trabalho de estúdio bem feito, não como "participação" ou curiosidade de discografia.
Quando ele cita "Walking on the Chinese Wall", ele também cita outras coisas, de forma mais genérica: "Algumas das coisas com big band também." E aí dá pra entender o porquê desse orgulho: o Collins sempre gostou de bateria com arranjo, com espaço e intenção, não só a batida "marcando", mas empurrando a música, recortando acentos, abrindo caminho para refrão e ponte.
As duas escolhas dizem mais sobre o ouvido dele do que sobre fama. "Mama" representa a assinatura dentro da própria banda. "Walking on the Chinese Wall" representa o Collins produtor/baterista fora do Genesis, resolvendo um disco inteiro, com outra voz, outro repertório e outra dinâmica. Duas situações bem diferentes e, pelo jeito, dois instantâneos bem nítidos do baterista que ele sempre foi.
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