O guitarrista que Angus Young disse ser "o mais imitado do mundo"
Por Bruce William
Postado em 15 de janeiro de 2026
Muita gente olha para o uniforme de colegial do Angus Young e esquece que, por trás daquele personagem, tem um sujeito que leva guitarra muito a sério. Ele mesmo construiu uma assinatura que virou "aula prática" para meio mundo: riffs simples, agressivos, com aquela sensação de que a música está sempre prestes a sair do trilho - e é justamente por isso que funciona.
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Quando ele foi falar de guitarristas que admira, o elogio não foi para alguém conhecido por malabarismo técnico. O nome que o Angus puxou foi o de Pete Townshend, do The Who, justamente por uma habilidade que parece pequena no papel, mas que separa os grandes dos "corretos": fazer um negócio básico soar vivo.
"Pete Townshend é outro cara que consegue ficar em uma corda ou em um acorde e fazer uma coisa aparentemente banal ganhar vida", disse Angus, em fala publicada na Far Out. É uma frase boa porque explica um tipo de guitarra que não depende de enfeite: depende de mão direita, de intenção e de como você martela o tempo.
Ele ainda reconheceu que existe guitarrista bom aos montes, mas jogou uma realidade que muita gente finge que não existe: "Tem muitos guitarristas bons no mundo", confessou. O problema, para ele, é que chega uma hora em que "você perde o interesse". E aí ele volta ao Townshend do começo de carreira, naquela fase mais bruta e física: "É como se você visse o Pete Townshend quando ele estava começando. Era tudo 'bang, bang', descendo a porrada na guitarra."
A partir daí vem a frase que explica por que o Townshend entra nessa conversa de "influência" com tanta força: "O estilo que ele toca provavelmente é o mais imitado do mundo." Angus não está falando de copiar um lick específico; ele está falando de postura: de construir música com pouco, de fazer o instrumento parecer parte do corpo.
E ele ainda usa Eric Clapton como contraste (sem transformar em briga): "Clapton estava acontecendo, mas ficou técnico demais. Ele fez 12 compassos parecerem uma grande coisa." Dá para perceber o filtro do Angus aí: se a guitarra começa a parecer demonstração, ele se desinteressa. O que segura sua atenção é a simplicidade bem usada.
O curioso é que o Townshend também tem uma frase que combina com esse espírito de "guitarra como atitude": "Eu toquei guitarra por dez anos antes de perceber que ela não era uma arma." Ele sempre teve essa coisa de tratar o instrumento como algo físico, quase perigoso e, ao mesmo tempo, como uma ferramenta musical que precisa servir à música.
No fundo, o elogio do Angus ao Townshend diz mais sobre o próprio AC/DC do que parece. Não é sobre tocar mais notas; é sobre fazer uma nota valer a pena. E isso explica por que certos guitarristas viram referência sem precisar de manual: você escuta duas batidas e já sabe quem está ali.
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