O músico que seria salvo pelo The Who, ficou a ver navios e David Bowie o tirou da lama
Por Bruce William
Postado em 13 de janeiro de 2026
Tem fase em que a carreira do cara não está "em baixa": está travada mesmo, com conta vencendo, autoestima no chão e aquela sensação de que o telefone não vai tocar. E foi desse lugar que Peter Frampton atendeu uma ligação que, em tese, mudaria tudo: do outro lado, seu quase xará, Pete Townshend.
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O papo, segundo ele, começou quase como uma cena de comédia por causa do nome dos dois. Townshend se apresentou, ele respondeu surpreso, e veio a bomba: o guitarrista do The Who disse que tinha tomado uma decisão, não queria mais cair na estrada com a banda e queria alguém no lugar dele - e esse alguém era justamente quem estava ouvindo aquilo na cozinha, tentando entender se era real.
Frampton, claro, travou. Disse que era responsabilidade demais, que não tinha como. Townshend insistiu: que dava, sim, e que ele estaria ali "junto". Antes de desligar, ainda prometeu que no dia seguinte conversaria com o resto do grupo e encaminharia a decisão.

Só que o "dia seguinte" virou um silêncio longo. Frampton ficou esperando retorno e nada. A ansiedade foi crescendo por semanas, até que ele fez o que muita gente faria: caçou o cara em Londres e ligou de volta, já sem muita cerimônia. Cobrou as três semanas de espera, disse que a carreira estava por um fio, que tinha recebido uma oferta surreal e depois foi deixado no vácuo. Townshend pediu desculpas e admitiu que não deveria ter feito aquela ligação no impulso.
Esse tipo de história é cruel porque não é apenas sobre "perder uma vaga". É sobre mexer com a cabeça de alguém que já está no limite, oferecendo uma tábua de salvação e recolhendo antes de a pessoa conseguir subir. E, naquele momento, ele estava exatamente assim: sem saber qual seria o próximo passo e com a sensação de que o tempo tinha passado rápido demais.
A virada, porém, não veio do The Who. Veio de um amigo antigo, de infância e escola: David Bowie. Em 1987, Bowie chamou o guitarrista para tocar com ele - e esse convite, do jeito que ele descreve, foi mais do que um trabalho: foi um resgate.
Ele conta que aceitou, foi para a Suíça gravar com Bowie e depois entrou na banda da turnê Glass Spider Tour, algo que o pegou de surpresa. E o detalhe que ele mesmo destaca é revelador: Bowie poderia ter escolhido qualquer um, inclusive porque no trabalho anterior tinha tido gente do calibre de Stevie Ray Vaughan. Mesmo assim, escolheu ele.
Na leitura do próprio guitarrista, aquele convite devolveu uma coisa que não se compra: credibilidade para seguir. Ele diz que estava se sentindo "marcado" desde o período em que "I'm In You" começou a puxar sua queda, e que tocar com Bowie ajudou a trazer público de volta e a colocar a carreira de novo em movimento. E a frase mais forte é simples: ele afirma que aquilo "salvou a vida" dele.
No meio disso tudo, fica um contraste curioso: um telefonema impulsivo de um ídolo abriu um buraco de semanas - e um gesto objetivo de um velho conhecido foi o que de fato fez a engrenagem voltar a girar.
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