"IA é o demônio", opina Michael Kiske, vocalista do Helloween
Por João Renato Alves
Postado em 30 de março de 2026
Michael Kiske, um dos vocalistas do Helloween, possui opiniões bastante contundentes sobre a inteligência artificial. Durante entrevista ao podcast And Now the Band, o cantor alemão foi questionado sobre o tema e desatou a falar, de forma que os próprios condutores não esperavam. A opinião, como se pode imaginar, não é nada elogiosa – e cheia de analogias espirituais.
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"Nunca será original, porque apenas usa o material que existe e gera algo a partir dele. Provavelmente se tornará muito perfeito, mas nunca terá a essência. E acho que esse é o grande teste pelo qual estamos passando - o grande teste divino. Você quer uma perfeição falsa ou a originalidade humana que tem alma e espírito? E você sabe, quando conversa com as pessoas, de que lado elas estão. Alguns são completamente ignorantes; não se importam, contanto que seja fácil conseguir uma música. Mesmo que a banda não exista, não as incomoda. Já outros simplesmente não querem ter nada a ver com isso."
O frontman ressaltou a importância dos sentimentos para o que gosta. "A música, ou a arte em geral, é uma expressão humana. Você expressa algo que importa emocionalmente, e isso dá alma, algo que o computador não tem. Ele pode simplesmente fingir - pode absorver e simular... Quando você vem do rock ou de qualquer outro gênero, você conhece as bandas de que gosta e sabe que elas são autênticas e fazem o seu trabalho. Acho que essa atitude em relação à música nunca vai desaparecer para um certo tipo de pessoa."
Kiske ainda estabeleceu paralelos comparativos entre o mercado musical de décadas passadas e o coisa-ruim. "Para mim, a música gerada por IA é um pouco como as produções pop artificiais dos anos 80, onde nunca se tratava de uma ideia ou de expressar algo através de uma canção. Era apenas uma tentativa de criar um single de sucesso para ganhar dinheiro. Então, para mim, é o mesmo tipo de coisa, só que com mais perfeição, e você terá o mesmo tipo de separação entre as pessoas. É útil para algumas coisas. Quando você faz filmes de ficção científica, por exemplo, onde você cria um mundo artificial... Mas em todos os lugares onde a IA substitui sua criatividade, é aí que ela vira o demônio. E pense bem: ela tem um efeito."
O vocalista reconhece que os recursos são sedutores. No entanto, ele entende que as consequências a longo prazo podem ser muito prejudiciais. "Eu sei o quanto a tecnologia é empolgante. Quando tive meu primeiro aplicativo de IA, por umas três semanas, fiquei brincando e achei divertido. Depois, perdi completamente o interesse e nunca mais olhei para ele. Mas se as pessoas desistirem de ser produtivas e criativas, quanto mais transferirem isso para máquinas e computadores, mais vão perder essa capacidade. Vão degenerar, mentalmente e na alma. Porque quando somos produtivos, isso significa liberar energia... É viciante. É muito tentador. A tecnologia é empolgante, mas você precisa estar no controle. É importante não deixar que ela controle você e sua vida. Muitas pessoas não percebem isso."
Michael concluiu se declarando aliviado por ter vivido a juventude em outro período. "Estou muito feliz por ter crescido em uma época sem internet, sem celulares, porque eu sei que teria caído na armadilha. É a mesma coisa com os jogos de computador. Quando era jovem, tínhamos aqueles primeiros jogos do Atari. Eram muito simples. Já eram viciantes, mas nada comparados ao que são hoje. Então eu não invejo as crianças de hoje, porque é preciso muito autocontrole e força de vontade para não se deixar levar e acabar se machucando com isso."
"Giants & Monsters", álbum mais recente do Helloween, saiu em agosto do ano passado. A banda vem ao Brasil em setembro para dois shows: dia 16 em Porto Alegre (KTO Hall) e 19 em São Paulo (Suhai Music Hall).
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