O melhor disco do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Soava muito pesado"
Por Bruce William
Postado em 24 de março de 2026
Escolher o melhor disco do Led Zeppelin costuma ser uma daquelas discussões que não acabam nunca. Sempre aparece alguém puxando o primeiro álbum, outro jurando que o auge está no quarto, e um terceiro lembrando que "Houses of the Holy" tem um charme próprio. Robert Plant, porém, já resolveu isso do jeito mais simples possível.
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A resposta apareceu em entrevista à Rolling Stone em 1988. Ao ser questionado sobre qual álbum do Zeppelin preferia, Plant foi direto, dando uma definição boa porque resume bem o disco: um trabalho grande, cheio de peso, mas que não desanda nem vira bagunça: "'Physical Graffiti'. Coisa forte. E também soava bem. Soava muito pesado, mas também era contido, mostrando certo grau de controle."
Não por acaso, a escolha dele anda lado a lado com outra preferência conhecida. Na mesma conversa, Plant colocou "Kashmir" entre os grandes momentos da banda e tratou a música como a que melhor traduzia o espírito do Led Zeppelin. Para ele, aquela faixa concentrava muito do que existia entre ele e Jimmy Page em termos de busca, viagem, imaginação e grandiosidade. Se "Kashmir" era, aos olhos dele, o coração do Zeppelin, fazia bastante sentido que o disco que a carregava acabasse no topo da lista.
"Physical Graffiti" saiu em fevereiro de 1975 e marcou uma fase importante para o grupo. Foi o primeiro álbum lançado pela Swan Song, gravadora criada pela própria banda, ainda com distribuição da Atlantic. Na prática, era um momento em que o Zeppelin já tinha tamanho suficiente para conduzir a própria embarcação sem precisar pedir licença a ninguém.
O resultado foi um disco duplo que mostrava a banda em várias frentes ao mesmo tempo, pontua a Far Out. Ali convivem o peso de "The Rover", a imponência de "Kashmir", o transe arrastado de "In My Time of Dying", o clima quase misterioso de "Ten Years Gone" e a sujeira divertida de "Trampled Under Foot". Em vez de soar disperso, o álbum passa a impressão de um grupo que já sabia exatamente até onde podia ir, e que ainda tinha fôlego para ir um pouco além.
Talvez seja justamente isso que Plant quis dizer com aquele "muito pesado, mas contido". "Physical Graffiti" não é pesado só no volume ou no riff. É pesado no tamanho, na ambição e na confiança. Ao mesmo tempo, não soa como uma banda tentando provar alguma coisa. Soa como quatro músicos que já tinham a faca e o queijo na mão e sabiam muito bem o que fazer com ambos. Não é pouca coisa para uma banda que deixou oito álbuns de estúdio e uma fila de candidatos fortes a esse posto.
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