Cantam sobre depressão e tragédia e aparecem na trilha do Shrek? Conheça a curiosa banda
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de março de 2026
Nem sempre o clima das letras de uma banda corresponde ao contexto em que suas músicas acabam sendo ouvidas. Um caso curioso é o do Eels, grupo liderado pelo compositor americano Mark Oliver Everett, conhecido artisticamente como "E". Apesar de trabalhar frequentemente com temas pesados, a banda acabou ganhando espaço em uma das franquias de animação mais populares do cinema.

A história foi lembrada pelo jornalista André Barcinski em um vídeo publicado em seu canal no YouTube. Segundo ele, trata-se de um projeto fortemente centralizado em Everett. "O Eels é daquelas bandas dominadas por uma figura central", explica. "Ao longo dos anos geralmente há outros músicos em volta, mas o centro é essa pessoa que compõe, que faz os discos, que toma as decisões estéticas."
Barcinski destaca que, mesmo tratando de assuntos delicados, a música do grupo possui uma sonoridade acessível. Para ele, Everett cria "um indie rock pop muito cerebral, mas também muito pegajoso no sentido radiofônico". Essa combinação entre profundidade temática e melodias cativantes ajudou o Eels a alcançar um público amplo e a aparecer em trilhas sonoras de filmes.
Foi assim que a banda acabou entrando no universo de Shrek. A canção "My Beloved Monster" aparece no primeiro filme da série, lançado em 2001. Já "I Need Some Sleep" ganhou destaque em Shrek 2 (2004), acompanhando uma das cenas mais introspectivas do personagem. O grupo ainda contribuiu com "Royal Pain" em Shrek Terceiro, de 2007.
A presença em uma franquia de animação familiar pode parecer surpreendente, principalmente considerando o teor das letras do compositor. Como observa Barcinski, Everett costuma escrever sobre "problemas mentais, depressão, suicídio e questões familiares muito pesadas". Mesmo assim, suas músicas frequentemente carregam uma atmosfera delicada e emotiva que dialoga com diferentes contextos.
Essa dualidade também reflete a própria vida do músico. Everett perdeu o pai ainda jovem, viu a irmã morrer após enfrentar depressão e pouco tempo depois também perdeu a mãe. As tragédias pessoais acabaram influenciando profundamente sua escrita, que mistura vulnerabilidade emocional com arranjos pop sofisticados.
Talvez seja justamente esse contraste que explique o alcance da banda. Como resume Barcinski, as canções de Everett conseguem falar de temas difíceis, mas ainda assim manter "uma leveza e uma beleza que transportam o ouvinte para um universo muito particular". Um universo que, inesperadamente, também encontrou lugar no mundo de um ogro verde do cinema.
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