O guitarrista que fazia Lemmy perder a paciência; "era só pra me irritar"
Por Bruce William
Postado em 25 de abril de 2026
Quem ia a um show do Motörhead sabia mais ou menos o que estava procurando. Volume alto, sujeira, velocidade e, no centro de tudo, Lemmy. A banda até podia mudar aqui e ali, mas havia um espírito muito específico naquele som, uma mistura de agressividade, rock and roll e atitude de estrada que não aceitava muita firula. Quando alguém destoava disso, a coisa aparecia rápido.
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Foi o que aconteceu com Brian Robertson, relembra a Far Out. O guitarrista entrou no Motörhead depois da saída de "Fast" Eddie Clarke, já trazendo o peso de ter passado pelo Thin Lizzy. Em tese, não era um nome qualquer. Robertson tocava muito, tinha currículo e ajudou a empurrar o grupo para um disco diferente do habitual, "Another Perfect Day", lançado em 1983. O problema é que talento, no Motörhead, nunca foi a história inteira.
No estúdio, a combinação até funcionou melhor do que muita gente imaginaria. "Another Perfect Day" não soa como o Motörhead mais clássico, mas também não é um desastre. Há quem goste justamente por mostrar uma banda abrindo um pouco o leque, com um som mais trabalhado em certas passagens. Só que uma coisa era gravar; outra era colocar aquilo na estrada e esperar que a química aparecesse no palco e fora dele.
Segundo Lemmy, foi ali que Robertson começou a virar problema. Em entrevista retomada pela Louder, o vocalista e baixista reclamou não só da postura do guitarrista, mas também do jeito como ele se apresentava visualmente. "Toda aquela merda de se vestir diferente, de usar aqueles shorts idiotas, era só para me irritar. Ou para ter certeza de que todo mundo soubesse que ele não estava no Motörhead, apenas um artista convidado, nos fazendo um favor lá do alto de sua posição de guitarrista do Thin Lizzy", disparou.
A bronca não era apenas estética no sentido superficial. No Motörhead, imagem e música sempre andaram juntas. A banda falava com um público muito específico, de jaqueta de couro, cara fechada e cerveja na mão. Ver Robertson no palco com visual que não combinava com esse universo ajudava a reforçar a impressão de que ele estava ali meio deslocado, quase como alguém de fora cumprindo tabela, e não como parte orgânica da gangue.
Isso também pesava na reação da plateia. Lemmy entendia o Motörhead como uma unidade muito própria, e qualquer desequilíbrio ali ficava evidente. Robertson podia até tocar bem e trazer outras ideias, mas não parecia pertencer àquele ambiente. O que para outra banda poderia ser só diferença de estilo, no Motörhead virava choque de identidade.
A passagem dele acabou curta. Depois da demissão de Robertson, Lemmy reorganizou a casa e mais tarde encontrou uma solução que lhe parecia mais próxima do som que queria ouvir na cabeça, com Phil Campbell e Würzel nas guitarras. O Motörhead recuperava assim aquela sensação de ataque mais bruto e coeso que, para Lemmy, fazia muito mais sentido ao vivo.
A história de Brian Robertson no Motörhead mostra uma coisa simples: tocar bem nunca bastou para entrar de verdade naquela banda. Era preciso encaixar no som, no palco, no espírito e até no jeito de ocupar o espaço. Robertson tinha bagagem, técnica e nome. Só não tinha o tipo de caos que Lemmy aceitava chamar de seu.
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