A canção do The Who que dava sono em John Entwistle quando a banda tocava ao vivo
Por Bruce William
Postado em 24 de abril de 2026
Algumas músicas viram festa garantida para o público, mas nem sempre provocam o mesmo entusiasmo em quem está no palco. Com "Magic Bus", lançada pelo The Who em 1968, parece que foi exatamente isso que aconteceu. A faixa ganhou status de querida entre os fãs e funcionava bem ao vivo, especialmente pelo ritmo insistente e pelo refrão fácil de acompanhar, mas havia um integrante da banda que não escondia o incômodo: John Entwistle.
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O baixista do The Who sempre foi associado a um jeito de tocar muito mais inventivo do que a média do rock da época. Em várias músicas da banda, ele tinha espaço para criar linhas cheias de movimento, contornar a guitarra de Pete Townshend e dar outro peso ao som do grupo. Por isso, "Magic Bus" nunca pareceu exatamente um prato cheio para ele.
A música funciona em cima de uma levada repetitiva, hipnótica até, e isso fazia sentido dentro da proposta da faixa. Pete Townshend, por exemplo, gostava bastante de tocá-la ao vivo justamente por causa desse balanço mais marcado. Para o público, também funcionava: bastava a música começar para a resposta vir forte, como se vê em gravações ao vivo da banda, inclusive no período de Live at Leeds.
Só que, do lado de Entwistle, a história era outra. O problema não estava em a música ser ruim ou ineficaz diante da plateia. O problema era o tipo de tarefa que ela exigia do baixo: pouca variação, muito tempo repetindo a mesma base e quase nada da liberdade que costumava tornar o papel dele mais divertido dentro do The Who.
"Eu realmente odiava tocar 'Magic Bus'. 'Magic Bus' às vezes eram oito minutos de lá. Em certas gravações, parece mesmo que eu pego no sono", disse o baixista, em fala publicada na Far Out, onde podemos compreender o lado dele, já que boa parte do charme do The Who sempre esteve em músicas mais agitadas, cheias de viradas, cortes e tensão interna entre os quatro músicos. Entwistle, Keith Moon, Townshend e Roger Daltrey raramente soavam como gente tocando no piloto automático. Em "Magic Bus", porém, a repetição parecia ser parte essencial da graça da música, e isso, para um baixista como Entwistle, podia virar tédio puro.
Também existe outro fator: ouvir uma faixa dessas como fã e tocá-la noite após noite são coisas bem diferentes. Para quem está na plateia, oito minutos de refrão, ritmo e energia coletiva podem passar voando. Para o músico, especialmente depois de semanas de estrada, a sensação pode ser de estar preso no mesmo ponto por tempo demais.
Ainda assim, "Magic Bus" sobreviveu no repertório porque funcionava. Nem toda música precisa agradar igualmente a todos dentro de uma banda para cumprir seu papel ao vivo. Nesse caso, ela parecia entregar exatamente o que o público queria, mesmo que John Entwistle estivesse, mentalmente, em qualquer outro ônibus bem longe dali.
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