A banda que parecia barulho sem sentido e influenciou Slipknot e System Of A Down
Por Bruce William
Postado em 24 de abril de 2026
Em abril de 1989, a BBC exibiu um documentário chamado Heavy Metal, dentro da série Arena. O programa reuniu nomes como Ozzy Osbourne, Lemmy, Lars Ulrich, Jimmy Page, Bruce Dickinson e Axl Rose, tentando explicar aquele universo para um público mais amplo. Perto do encerramento, porém, a coisa tomou outro rumo: quatro jovens do Napalm Death apareceram em um quarto suburbano, cercados por pôsteres de filmes de terror, tentando explicar um tipo de som que ainda parecia estranho até para boa parte do público do metal.
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Shane Embury, baixista do Napalm Death, resumiu a proposta de forma simples, quase seca: "Você tem baixo distorcido, bateria rápida e vocais exagerados. Tudo na banda é realmente extremo. É assim que tem que ser, na verdade." Logo depois, o documentário mostrou a banda tocando "Scum", faixa-título de seu disco de estreia. Para quem esperava algo próximo do heavy metal tradicional, aquilo soava como uma batida de frente em alta velocidade: blast beats, voz quase indecifrável e uma sensação de caos controlado por muito pouco.
A reportagem da Metal Hammer, republicada pela Louder, relembra que aquele barulho fazia parte de uma cena nova, nascida da mistura entre punk britânico, hardcore americano e a brutalidade que vinha crescendo no death metal. O nome escolhido para aquilo foi grindcore. Não era apenas tocar rápido por esporte. Havia ali uma vontade de empurrar a música para um ponto em que estrutura, agressividade e sujeira pareciam disputar espaço dentro da mesma sala apertada.
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Shane não costuma colocar a criação do gênero apenas na conta do Napalm Death. Ele cita bandas americanas como Siege e Repulsion, que já estavam levando punk e metal para regiões mais extremas na primeira metade dos anos 80. Matt Olivo, guitarrista do Repulsion, explicou que aquilo não nasceu como um plano organizado: "Não sentamos um dia e dissemos: 'Vamos começar a fazer blast beats'. Foi uma coisa do dia a dia: 'Vamos pegar o que Venom, Slayer e Metallica estão fazendo e levar para o próximo nível'."
Naquela época, o circuito era pequeno e quase invisível. O Repulsion tocava basicamente em Flint e, quando saía da cidade, chegava no máximo a Detroit. Matt contou que algumas pessoas gostavam, mas outras simplesmente não entendiam o que estavam ouvindo: "Às vezes apareciam aqueles caras acostumados a ouvir Metallica e Slayer ou Judas Priest olhando para a gente e dizendo: 'Isso não é metal, não é punk, eu não sei que porra esses caras estão fazendo'." Este era o lugar que o grindcore ocupava: perto demais do metal para ser punk, perto demais do punk para ser metal, extremo demais para ser confortável em qualquer prateleira.

O Napalm Death, por sua vez, cresceu em ambientes como o The Mermaid, pub de Birmingham que recebia bandas punk e hardcore. Shane descreveu o lugar como um cenário de punks no chão, cidra, dreadlocks, cabelos coloridos e cheiro de vômito nos banheiros, mas também como um espaço onde era possível ver dez bandas por uma libra e meia. Era uma cena pequena, barulhenta e nada elegante, mas dali saiu parte importante da linguagem extrema que o metal usaria nas décadas seguintes.
O impulso também veio de fora dos palcos. Antes da internet, a troca de fitas pelo correio ajudou esse tipo de som a circular entre fãs de música pesada espalhados pelo mundo. Outro personagem importante foi John Peel, DJ da BBC que abriu espaço para artistas que dificilmente tocariam em rádio. Segundo Shane, Peel entendeu o desafio daquele som e, quando deu seu apoio, gente de outros círculos passou a prestar atenção. Ele lembrou que era possível ver um fã de Repulsion ao lado de um fã de Sonic Youth nos shows do Napalm Death.
Com o tempo, o grindcore deixou de ser apenas uma aberração subterrânea de Birmingham, dos Estados Unidos ou da Escandinávia. Bandas como Carcass, Extreme Noise Terror, Terrorizer, Nasum, Pig Destroyer e Wormrot mantiveram a chama acesa em fases diferentes, cada uma puxando o som para seu próprio lado. Mesmo quando o death metal técnico e o black metal chamaram mais atenção no começo dos anos 90, a lógica do grindcore continuou circulando: músicas curtas, ataque frontal, pouca paciência para enfeite e uma sensação permanente de urgência.
A influência acabou chegando até bandas muito maiores. Shane contou que já encontrou integrantes do Slipknot algumas vezes e percebeu que eles conheciam bem o Napalm Death. Ele também lembrou que o System Of A Down abriu um show para eles em 1997, antes de assinar contrato. "É muito legal e muito lisonjeiro, mas obviamente eles misturaram isso com coisas diferentes", disse o baixista, colocando a influência no devido lugar, sem transformar bandas tão diferentes em cópias umas das outras.
Mais de três décadas depois, o grindcore continua sendo um dos pontos mais extremos da música pesada. Não virou produto de massa, nem teria muita graça se virasse. Mas seu impacto aparece justamente nas bordas: na velocidade, na sujeira, na recusa em soar domesticado e na ideia de que uma música pode durar menos de um minuto e ainda deixar o ouvinte com cara de quem acabou de ver um caminhão passando dentro da sala. O Napalm Death pode ter parecido um barulho sem sentido para muita gente em 1989, mas, para quem veio depois, aquele barulho abriu portas que nem todo mundo sabia que existiam.
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