A banda em que ninguém recusaria entrar, mas Steven Tyler preferiu dizer não
Por Bruce William
Postado em 24 de abril de 2026
Steven Tyler sempre esteve ligado ao Aerosmith de um jeito que vai além da função de vocalista. A banda teve brigas, pausas, projetos paralelos, fases complicadas e períodos em que a relação entre seus integrantes parecia perto do limite, mas a imagem de Tyler na frente do grupo continuou sendo parte central da história. Mesmo quando ele fez trabalhos fora dali, nada teve o mesmo peso que sua parceria com Joe Perry e os demais músicos do Aerosmith.
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Essa ligação ajuda a entender por que uma possibilidade aparentemente tentadora nunca passou, segundo ele, de uma experiência passageira. Tyler chegou a tocar com Jimmy Page e John Paul Jones, ex-integrantes do Led Zeppelin, em um período em que a ideia de algum tipo de reunião sem Robert Plant voltava a rondar o imaginário de fãs e da imprensa. Para qualquer vocalista de rock, o convite já seria motivo suficiente para perder o sono.
O problema é que não se tratava de uma banda qualquer, como relembra a Far Out. O Led Zeppelin carregava uma história própria, com Robert Plant como parte essencial daquela identidade. Ao mesmo tempo, Tyler também sabia que vinha de outra banda clássica, igualmente marcada por relações internas complicadas, mas muito dependente da química entre seus integrantes. Sair de um lugar para tentar ocupar o outro não seria apenas uma troca de emprego.
Na prática, Tyler entendeu que aquilo criaria um problema duplo. De um lado, significaria deixar o Aerosmith em uma posição delicada. Do outro, colocaria seu nome em um espaço que sempre esteve associado a Plant. Mesmo para alguém com a personalidade expansiva de Tyler, havia ali um limite difícil de atravessar.
Ele explicou a decisão de forma clara ao falar sobre o contato com Jimmy Page. "Liguei para Jimmy depois que fui embora, duas semanas depois, e disse: 'Você está em uma banda clássica, e eu também, e eu simplesmente não posso fazer isso com meus caras, e não posso fazer isso com Robert [Plant]'", contou Tyler.
O vocalista também disse que não via como se dedicar ao projeto da maneira necessária. "Eu não conseguia imaginar encontrar um ano para realmente me entregar a isso. Então, independentemente do que a banda pensou, nem em um milhão de anos eu deixaria o Aerosmith para começar o Zeppelin."
Não se trata de algum tipo de desprezo pelo Led Zeppelin. Pelo contrário, Tyler reconhece o tamanho do grupo e o peso de entrar em uma história que não era sua. Cantar ao lado de Jimmy Page e John Paul Jones poderia ser uma honra, mas transformar isso em uma nova versão do Zeppelin sem Plant seria outra conversa.
Também havia uma diferença musical importante. O Aerosmith sempre teve uma ligação forte com blues, boogie e rock americano mais direto, enquanto o Led Zeppelin trabalhava com dinâmicas mais abertas, mudanças de clima e uma química muito particular entre Page, Plant, Jones e John Bonham. Tyler podia ter potência, presença e experiência, mas isso não significa que seria natural tentar ocupar aquele espaço.
Steven sabia que o Aerosmith era sua banda, com todos os defeitos e turbulências que isso envolvia. E também sabia que o Led Zeppelin, por maior que fosse, carregava uma ausência impossível de ignorar sem Robert Plant no microfone. Para um cantor acostumado a viver no centro do palco, reconhecer esse limite talvez tenha sido uma das escolhas mais sensatas de sua carreira.
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