A profunda letra do Metallica que Bruce Dickinson pediu para James Hetfield explicar
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de abril de 2026
Muito antes de podcasts em vídeo dominarem o noticiário do rock, Bruce Dickinson já fazia entrevistas de peso no rádio. Em 2008, o vocalista do Iron Maiden, dono de uma das vozes mais marcantes da história do heavy metal, apresentava um programa na BBC 6 Music. Em uma dessas conversas, resgatada agora pelo canal de Jon Harlson, Bruce entrevistou James Hetfield e arrancou do líder do Metallica uma resposta especialmente sincera sobre o significado de uma letra.

O momento veio quando Dickinson decidiu avançar para "The Judas Kiss", faixa do álbum "Death Magnetic", lançado naquele mesmo ano. Bruce citou um verso em particular - "a culpa é sua, agora eu me tornei seu novo Deus" - e foi direto ao ponto: queria saber a quem ou a quê James estava se referindo.
O significado de "The Judas Kiss" do Metallica
A resposta de Hetfield fugiu de qualquer explicação abstrata. "Você pode colocar ali o que quiser", disse primeiro. Mas logo abriu o jogo sobre sua própria leitura da música. "No meu caso, o que eu colocava ali era o álcool, com certeza."
A fala ajuda a explicar por que a resposta chamou atenção. Hetfield não tratou a canção apenas como uma narrativa vaga sobre traição. Ele ligou o tema à própria experiência com dependência e autossabotagem. "A música faz sentido porque é uma traição", afirmou. "Você acredita em alguma coisa, acha que essa é a missão, que isso é o certo, e no fim das contas não é."
Na visão do vocalista, esse processo não se limita ao vício químico. A música fala de qualquer entrega cega que depois se revela enganosa. "Todo mundo já teve seu momento Judas", resumiu.
A honestidade da resposta ganha ainda mais força porque ela aparece no meio de uma entrevista já carregada de temas pesados. Antes disso, Bruce havia perguntado sobre a morte de Cliff Burton e sobre como a perda do baixista marcou a vida de Hetfield. James respondeu dizendo que só compreendeu a dimensão daquele luto muitos anos depois, já na reabilitação, quando começou a encarar outras perdas pessoais.
"Você não percebe o quanto tem sorte de estar com certas pessoas até que elas se vão", disse. Depois completou que só passou a sentir plenamente a ausência de Cliff quando teve de lidar com o luto de forma real. "Havia um trabalho de luto que precisava ser feito."
Ao longo da conversa, Hetfield também falou da entrada de Jason Newsted no Metallica num momento em que a banda ainda estava destruída emocionalmente. Admitiu que o grupo descarregou parte da dor no novo integrante. "Provavelmente pegamos pesado demais com ele e também descarregamos nele boa parte do nosso luto", confessou.
Quando o assunto voltou ao vício, Dickinson puxou o documentário Some Kind of Monster e perguntou se aquela exposição extrema fazia parte de um processo ou se tinha virado um fim em si mesma. Hetfield respondeu de modo igualmente franco, dizendo que o filme não era exatamente sobre o Metallica como mito, mas sobre seres humanos em colapso tentando se reorganizar.
"Aquilo era uma história humana", afirmou. Para ele, expor fragilidades acabou fortalecendo a banda. "Mostrar as fraquezas certamente nos deixou mais fortes."
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