A música do Genesis que Phil Collins achava complicada demais; "Não havia espaço"
Por Bruce William
Postado em 01 de abril de 2026
Muita gente que se acostumou a associar Phil Collins ao Genesis mais acessível dos anos 1980 esquece que ele passou um bom tempo mergulhado até o pescoço no lado mais intricado da banda. Ele vinha de uma formação técnica forte, tocava também com o Brand X e não tinha qualquer problema com peças cheias de viradas, divisões e mudanças de clima. Mesmo assim, houve uma música do Genesis que ele achou complicada demais - e não era pela bateria em si.
Genesis - Mais Novidades
A faixa em questão foi "The Battle of Epping Forest", do álbum "Selling England by the Pound", lançado em 1973. O problema, para Collins, não estava na base instrumental em si, mas no que aconteceu quando Peter Gabriel despejou a letra por cima da música. Anos depois, ao comentar a faixa nas entrevistas da reedição de 2007 do disco, em fala publicada no Genesis Archives ele disse: "Peter pegou a música e escreveu a letra, e era tipo 300 palavras por linha. Não havia espaço. Era como se todo o ar tivesse sido sugado dali."
Collins não tratou isso como simples erro de um lado contra o outro. Pelo contrário. Ele disse que não achava que a banda estivesse errada nem que Gabriel estivesse errado, mas reconheceu que a coisa tinha saído um pouco do controle. A música até foi tocada ao vivo, mas, segundo ele, acabava sempre soando como "uma barragem de informação". Em outras palavras: havia ideias demais disputando espaço ao mesmo tempo.
Isso ajuda a entender melhor um ponto que às vezes passa batido quando se fala da fase Gabriel. O Genesis daquele período não queria apenas soar sofisticado; queria também contar histórias, criar personagens, fazer teatro dentro da música. Como bem coloca a Far Out, em muitos casos isso deu muito certo. Em outros, como Collins sugere, a ambição narrativa começava a apertar demais o arranjo. "The Battle of Epping Forest", com sua trama de gangues londrinas e seu excesso deliberado de detalhes, acabou virando um exemplo clássico desse limite.
E pra ficar claro: a crítica de Collins não era uma rejeição ao Genesis progressivo em si. Ele fazia parte da engrenagem que tornava aquilo possível e, tecnicamente, tinha plenas condições de lidar com esse tipo de repertório. O que o incomodava ali era outra coisa: quando a música deixava de respirar. E essa observação, olhando em retrospecto, ajuda até a entender por que o Genesis acabou caminhando para formas mais enxutas mais adiante.
Não que "The Battle of Epping Forest" não siga sendo uma peça querida por parte dos fãs, com seu humor torto, sua teatralidade e seu caos muito calculado. Mas o próprio Phil Collins deixou claro que, para ele, a faixa mostrava bem o momento em que o Genesis começou a perceber que complexidade, sozinha, não resolvia tudo. Às vezes, faltava justamente aquilo que ele apontou na frase mais precisa de todas: ar.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O maior cantor da história do rock progressivo, em lista de 11 vocalistas feita pela Loudwire
10 discos que provam que 1980 foi o melhor ano da história do rock e do heavy metal
Slash escolhe o maior álbum ao vivo de todos os tempos; "Eu amo esse disco"
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
A música do Led com instrumental tão forte que Robert Plant acha que nem deveria ter cantado
O membro dos Titãs que foi convidado para entrar no Angra três vezes e recusou todas
Tony Iommi posta foto que inspirou capa de "Heaven and Hell", clássico do Black Sabbath
O clássico do metal com solos de guitarra "sem nada a ver com música", segundo Rick Rubin
Brian Johnson no AC/DC: 46 anos de uma substituição que redefiniu o rock
Baixista admite que saída do Korn se deu por recusa a tomar vacina
Slayer celebrará 40 anos de "Reign in Blood" tocando o álbum na íntegra em dois shows
O motivo que levou Max Cavalera a brigar com Andreas Kisser durante as gravações de "Roots"
Dave Grohl reconhece que novo baterista precisou se adaptar ao Foo Fighters
A música que nasceu clássica e Ronnie James Dio teve que engolir, embora a odiasse
O álbum do Iron Maiden que Bruce Dickinson adora e Steve Harris odeia

A curiosa ligação com o Brasil que fez Genesis tocar mais no rádio daqui do que na Inglaterra
Companheiros do Genesis não botaram fé em hit: "Phil Collins, o que você está fazendo?"
As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
Os 10 piores músicos que passaram por bandas de rock clássicas
O integrante mais talentoso do Genesis, segundo o polêmico Ian Anderson
Steve Harris: oito músicas que mudaram a vida do baixista do Iron Maiden


