O gênero musical que John Lennon não suportava: "As pessoas ao redor dele..."
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de maio de 2026
John Lennon nunca quis ser visto como um músico fechado a novidades. Ao longo da carreira, o ex-Beatle mostrou interesse por diferentes formas de composição, experimentou arranjos pouco convencionais e conviveu com artistas como David Bowie e Elton John. Mesmo assim, havia estilos que o incomodavam - não necessariamente pela música em si, mas pelo ambiente que se formava ao redor deles.
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Segundo a Far Out, Lennon tinha uma relação complicada com gêneros associados a uma ideia de superioridade intelectual, especialmente a música clássica e o jazz moderno. O site resume que ele "gostava da ideia de honestidade na arte" e que podia ser bastante duro quando percebia que uma música era tratada mais como exercício intelectual do que como expressão direta.
A frase mais reveladora veio do próprio Lennon. "Não há ninguém de quem eu goste de tudo, incluindo eu mesmo ou os Beatles. Eu gosto de pedaços e partes. Não gosto da escola intelectual da música, assim como não gosto de música clássica ou jazz moderno pelas mesmas razões. Não desgosto de jazz moderno ou música clássica em geral, mas das pessoas que cercam isso."
Para a Far Out, o incômodo de Lennon não era exatamente com acordes complexos, orquestrações ou sofisticação musical. O problema estava no que o texto chama de "snobismo" em torno desses gêneros. Ele vinha do rock and roll de Chuck Berry, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis e Little Richard, e acreditava que uma canção podia ser importante mesmo com poucos acordes, desde que tivesse verdade.
Ainda assim, Lennon não deixou de usar elementos de música mais elaborada quando isso fazia sentido. A Far Out lembra que "Because" poderia funcionar como uma peça de inspiração clássica se fosse tocada por uma orquestra, enquanto os Beatles também absorveram harmonias vindas do jazz em várias músicas. O ponto é que Lennon não queria transformar isso em pose intelectual.
No fundo, sua implicância tinha menos a ver com limitação musical e mais com postura. Como diz a Far Out, Lennon queria provar que era possível fazer algo relevante "com apenas alguns acordes". E, considerando o peso que suas músicas ainda têm na história do rock, ele conseguiu.
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