O disco onde Eric Clapton deixou o heavy metal para trás; "não vão ter mais isso de mim"
Por Bruce William
Postado em 03 de maio de 2026
Eric Clapton passou boa parte dos anos 60 e começo dos 70 sendo tratado como um dos grandes nomes da guitarra pesada feita a partir do blues. Bastaria lembrar o Cream, a pancadaria de "Sunshine of Your Love" ou a forma como ele incendiava "Crossroads" no palco para entender por que tanta gente esperava que ele continuasse naquela trilha. Só que, em meados dos anos 70, o inglês já parecia interessado em outra conversa.
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Essa mudança ficou bem clara em "No Reason to Cry", álbum lançado em 1976 e gravado com participação de músicos do The Band. Em vez de tentar soar como um velho herói do volume, Clapton foi atrás de um disco mais solto, mais ligado a country, folk, soul e música de raiz americana. Era um caminho que combinava mais com o momento dele como compositor do que com a imagem do guitarrista que precisava provar alguma coisa a cada solo.
Na época, ao comentar o rumo do disco, ele afirmou (via Far Out): "Eu realmente não acho que eles queiram um álbum de heavy metal. Pelo menos eu espero que não, porque não vão ter mais isso de mim. Já passei desse tipo de coisa. Não acho que isso dure."
O ponto não era abandonar a guitarra ou fingir que nunca teve ligação com esse lado mais pesado. O que Clapton parecia querer era outra forma de construção. Em vez de apostar tudo no impacto do riff ou no solo que arranca aplauso instantâneo, ele passou a valorizar canções com mais espaço para história, clima e nuance. O blues continuava ali, claro, mas misturado a uma paleta mais ampla e menos refém da porrada de palco.
"No Reason to Cry" pode até soar estranho para quem esperava outro monumento de guitarra no estilo Cream, mas ele ajuda a mostrar essa virada de chave. Clapton parecia menos interessado em competir com a nova geração de instrumentistas e mais disposto a encontrar um repertório que lhe desse satisfação como autor e intérprete. Nos anos seguintes, isso ficaria ainda mais evidente em faixas como "Lay Down Sally", onde a pegada de raiz aparece com naturalidade.
Vendo hoje, passados tantos anos, a fala dele também ajuda a separar duas fases bem distintas da carreira. A primeira é a do guitarrista que ajudou a moldar o peso do blues-rock moderno. A segunda é a de um artista que já não queria viver só disso. Muita gente pode ter sentido falta de mais discos cheios de fogo e fúria, mas Clapton parecia decidido a não virar refém do próprio passado. E, goste-se mais ou menos do resultado, foi exatamente isso que ele fez.
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