O erro que Marcelo Barbosa vê na atual polêmica entre amplificadores e simuladores
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de setembro de 2026
Amplificadores de verdade ou simuladores digitais como o Neural DSP Quad Cortex? A velha disputa entre guitarristas voltou a esquentar depois que o produtor Rick Bonadio criticou processadores e IRs (impulse responses, arquivos que simulam caixas e microfones) durante participação em um podcast. Agora, Marcelo Barbosa, guitarrista do Angra, entrou no debate em vídeo publicado em seu canal no YouTube, com uma tese: a discussão costuma partir de uma premissa errada.

Para o músico, antes de perguntar qual opção é melhor, é preciso saber o que exatamente está sendo comparado. "Quando você está em uma sala em frente a um amplificador valvulado, ligado numa caixa, o som que você está ouvindo não é simplesmente o som do amplificador. Você está ouvindo o amplificador, o power amp, o falante, a caixa, a construção dessa caixa (...), o volume de ar que ela movimenta, a interação desse falante com o power e também com a própria sala e os materiais da sala", explicou. Ele lembrou ainda que, na gravação, o microfone fica a poucos centímetros do falante e capta só uma parte desse sistema.
"Se você quiser fazer uma comparação realmente justa entre um amplificador e um simulador, não faz muito sentido ficar na frente de uma caixa 4x12 ouvindo aquele som enorme, preenchendo a sala, e depois comparar isso com um Quad Cortex saindo do monitor do seu computador. Essa comparação já nasce errada porque você não está comparando a mesma coisa. Uma comparação mais correta seria pegar esse amplificador, colocá-lo numa sala isolada, microfonar e ouvir somente o som que está chegando na mesa, no monitor ou no seu fone de ouvido."
Barbosa também criticou vídeos que confrontam um amplificador real, regulado ao gosto do dono, com um preset de fábrica qualquer, às vezes de outro modelo. Como alternativa, sugeriu timbrar o amplificador da melhor forma possível, fazer uma captura dele em um Quad Cortex ou Kemper e ouvir os dois pela mesma monitoração, no mesmo volume e, de preferência, sem saber qual é qual. "Aí você realmente está avaliando a tecnologia, porque eliminou boa parte das variáveis", afirmou.
O mesmo raciocínio vale para as próprias capturas. Segundo o guitarrista, três versões de um Soldano SLO-100 podem soar bem diferentes entre si, dependendo da caixa, do falante, do microfone, da regulagem e até do estado das válvulas. "Uma captura não representa simplesmente o Soldano, ela representa aquele amplificador naquele ajuste, passando por aquela cadeia específica de sinal no momento em que foi capturado", disse. Na visão dele, um amplificador caro mal microfonado pode soar pior dentro de uma mixagem do que uma boa captura digital.
No palco, o integrante do Angra vê na consistência uma das maiores vantagens do digital. "Depois que tenho o meu preset pronto, eu sei praticamente qual sinal eu vou mandar para o PA todas as noites. Posso tocar hoje em Brasília, amanhã em São Paulo, depois em Santiago, depois em Tóquio, e o sinal que sai do meu processador pode ser essencialmente o mesmo", contou. Fã declarado de amplificadores, ele reconhece que nenhum processador entrega a sensação física de tocar diante de uma caixa em alto volume, mas considera o debate simplista demais. "A pergunta deveria ser melhor em quê? Para tocar dentro de uma sala, para gravar, para sair em turnê, para mandar um sinal consistente pro PA, para fazer recall de uma sessão, para ter praticidade?", concluiu.
Confira o vídeo completo abaixo.
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