A gafe cultural que Edu Falaschi quase pôs em "Eldorado": "Símbolo de traição"
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de setembro de 2026
Uma viagem de pesquisa ao México salvou Edu Falaschi de cometer um erro grave na letra de "Eldorado", segundo disco da trilogia que o cantor lançou em carreira solo. O episódio foi contado em entrevista ao podcast Out of the Box, apresentado por Syang. O problema envolvia Malinche, personagem histórica que o brasileiro havia incluído no enredo sem conhecer o peso que o nome carrega no país.
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Indígena de origem nauatle, Malinche atuou como intérprete de Hernán Cortés durante a conquista do império asteca e teve filhos com o espanhol. Falaschi tratou a figura de forma romantizada nas primeiras versões da letra, como uma mulher que se apaixonou pelo colonizador. A leitura não corresponde ao que se convencionou no México, onde ela é lembrada sobretudo como símbolo de traição ao próprio povo.
"Quando eu cheguei lá no México, eu vi que ela é um símbolo de traição", afirmou o cantor. Ele descobriu também que o nome originou um xingamento corrente até hoje: chamar alguém de malinchista equivale a acusá-lo de trair os seus. A constatação obrigou a uma mudança completa de contexto na canção, ainda durante o processo de composição.
A ida ao México não foi improvisada. Falaschi explicou que escrever sobre o Brasil era confortável, mas que abordar a colonização espanhola exigia outro tipo de preparo. Ele viajou especificamente para estudar antes de fechar as letras, e disse que a Malinche não foi o único trecho ajustado depois da pesquisa de campo.
O cuidado se estendeu a outras escolhas do álbum. O disco tem uma faixa cantada em nauatle por uma artista indígena mexicana, que recebeu a letra em inglês e pediu para escrever a própria versão em vez de apenas traduzir. Ela queria falar do próprio povo, e questionou o cantor sobre qual ponto de vista o texto adotava - se era o dos espanhóis.
"Eldorado" integra uma trilogia iniciada em "Vera Cruz", ambientada na chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, e encerrada em "Mirage", com pesquisa voltada ao Oriente Médio. Cada parte tem sonoridade própria: a primeira flerta com elementos brasileiros e portugueses, a segunda incorpora a pegada espanhola e mexicana, e a terceira trabalha melodias árabes. Falaschi descreve o conjunto como um projeto que leva cultura ao público estrangeiro.
Confira o vídeo completo abaixo.
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