Melhores Álbuns Ano a Ano - Parte 7: 1966

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Por Edson Medeiros, Fonte: O Besouro Musical
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Em 1966 o mundo como era conhecido começava a sofrer algumas das maiores transformações depois da 2º Guerra Mundial. Em demonstração de poder a União Soviética trabalha pesado na Corrida Espacial e envia sonda Lunik 9 para coletar imagens do solo lunar, além de atingir pela primeira vez outro planeta com a sonda Venera 3 que pousou em Vênus.
Foi também o ano do Golpe Militar na Argentina e da Grande Revolução Proletária na China.

Na música o mundo sofreu um choque social causado pela decisão dos Beatles em não mais se apresentar ao vivo para se concentrar em seu trabalho em estúdio, enquanto jovens brancos ingleses e americanos descobriam o blues, a maconha e o LSD.
Como Keith Richards disse certa vez: “Em 1966 o mundo deixou de ser monocromático e passou a ser technicolor.”


10º Frank Zappa & the Mothers of Invention - Freak Out!
(Verve Records / Experimental rock)

O mérito de Frek Out! não está em sua qualidade musical apura ou num refinamento brilhante. O bom-gosto passa longe do álbum de estreia do Mothers of Invention. Para falar a verdade, costuma figurar em listas de “melhores” graças a sua inovação de conceito e sua ousadia quase cômica.


9º Donovan – Sunshine Superman
(Epic Records / Raga rock)

O cantor folk escocês Donovan Leitch já era uma estrela local, especialmente comparado a Dylan, quando entrou de cabeça na marijuana (foi o primeiro artista pop britânico a ser preso por porte de drogas), no som dos Beatles e no espiritualismo hindu. O resultado: um discasso que mistura psicodelismo, pop, folk e instrumentação indiana.


8º The Yardbirds – The Yardbirds
(Columbia Records / Blues-rock)

O grupo que revelou para o mundo uma trindade-sagrada de guitarristas lançava seu melhor elepê com Jeff Beck no comando das seis-cordas. O poder de fogo do blues-rock da banda pavimentou o caminho que o Led Zeppelin seguiria nos anos 70. Nunca antes e muito menos depois de The Yardbirds (a.k.a Roger the Engineer) conseguiram atingir um nível tão alto de performance.


7º The Byrds – Fifth Dimension
(Columbia Records / Raga rock)

Finalmente os Byrds deixavam a sombra de Dylan e seguiam seu próprio caminho. Muito disso deve-se a debandada de Gene Clark, principal compositor do grupo. Na sua ausência Jim McGuinn e David Crosby tiveram de se virar para concluir seu próximo álbum. Uma mescla do folk rock habitual com o que de mais moderno rolava entre Los Angeles e o Reino Unido, do psicodelismo ao barroco, passando pelo hinduísmo e pela música experimental.


6º Cream – Fresh Cream
(Reaction Records / Blues-rock)

Quando Eric Clapton deixou os Yardbirds, insatisfeito com seu direcionamento mais pop, entrou para a banda de John Mayall e aprendeu os ensinamentos do mestre inglês do blues. Ao lado dos talentosos Jack Bruce e Ginger Baker fundou a primeira banda megalomaníaca da história do rock. Fresh Cream é um projeto ousado, ninguém nunca havia tocado tão alto ultrapassando os limites do blues-elétrico.


5º The Kinks – Face to Face
(Pye Records / Rock)

Apesar de sua capa colorida – na onda do technicolor – é um álbum repleto de canções tão cinzentas quanto as frias e chuvosas ruas de Londres. Um dos pioneiros da crítica social – molde que seria amplamente utilizado pelos Kinks no futuro –, seus ataques cheios de cinismo e ironia são reflexo da infelicidade do vocalista Ray Davis que havia sofrido de um colapso nervoso pouco antes das sessões de Face to Face.


4º The Rolling Stones – Aftermath
(Decca Records / Rock)

Os fãs dos Rolling Stones podem até me condenar, mas foi Aftermath seu primeiro grande álbum. Antes preocupados em recriar temas clássicos de medalhões do blues de forma não muito consistente, Jagger e Richards agora empenhavam-se em criar seus próprios temas e começavam a adquirir personalidade própria. O talentoso Brian Jones foi um dos pioneiros na utilização de instrumentos orientais na música pop do ocidente.


3º Bob Dylan – Blonde on Blonde
(Columbia Records / Folk rock)

O primeiro álbum duplo do rock. Uma tempestade elétrica. O ápice de sua conversão ao rock. Uma mistura poderosa de folk, rock e blues que reflete bem um dos momentos de maior angustia de um grande artista. De “messias do folk” a “Judas do rock” bastou um show para uma plateia intolerante em Manchester. A fúria dos puristas e a indiferença gélida de Dylan o jogaram num inferno pessoal de excessos. O álbum duplo é a síntese de seu próprio caos e o ponto final de sua trilogia elétrica. Em Blonde on Blonde, o jovem poeta da cidade de Duluth cruzou um limite perigoso que jamais voltaria a cruzar em toda sua carreira.


2º The Beach Boys – Pet Sounds
(Capitol Records / Baroque pop)

Quando Brian Wilson – a mente maior por trás dos Beach Boys – ouviu pela primeira vez Rubber Soul dos Beatles, teve uma epifania. Sabe aquela ideia maluca que alguém bota na cabeça e não há quem tire? Foi exatamente isso que aconteceu quando o mais velho dos irmãos Wilson decidiu superar a obra do Fab Four. O trabalho esgotante de estúdio contou com intermináveis sessões e uma incontável quantidade de músicos de apoio. O resultado foi a obra-prima barroca Pet Sounds e o início de seu declínio mental. Se é melhor que Rubber Soul? Resposta: ouçam e tirem suas próprias conclusões.


1º The Beatles – Revolver
(Parlophone Records / Psychedelic rock)

Nunca antes na história da música um único álbum havia sido tão impactante e inovador quanto Revolver. Movimentos no jazz improvisado, no blues eletrificado em Chicago, no rock and roll da Sun e na própria Invasão Britânica haviam ditado tendência, mas sempre com um grande grupo de músicos, bandas e álbuns envolvidos no processo. Os Beatles já eram considerados artistas pop notórios, donos de marcas que custariam muito (ou nunca foram) quebradas, mas seu novo álbum era algo diferente de tudo mesmo que carregue referências musicais contemporâneas ou passadas. O estilo de compor de Lennon/McCartney cresceu muito desde A Hard Day’s Night e começava a atingir um novo nível de qualidade ao misturar a música erudita de Vivaldi, as poesias abstratas de Bob Dylan e o som brilhante da Motown com o psicodelismo influenciado pelo LSD. O guitarrista George Harrison – agora interessado nas tradições hinduístas – aos poucos conquistou seu espaço e aparece com grande destaque. As inovações nas gravações e na pós-produção de Revolver mostraram um novo caminho em meio as trevas – o produtor George Martin e o engenheiro de som Geoff Emerick foram importantes neste processo –, foi como a descoberta do fogo ou a invenção da roda para um meio artístico que ainda utilizava técnicas ultrapassadas e pouco criativas de gravação.

Os responsáveis são citados no texto. Não culpe os editores. :-)

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